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Capa Memória Geral John Gray: “O mundo não pode ser limitado a um único sistema de ideias”
John Gray: “O mundo não pode ser limitado a um único sistema de ideias” Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 13 de Julho de 2015 - 10:43

gray 1Tachado de pessimista pelos críticos, John Gray é um pensador que previu alguns dos principais acontecimentos políticos da história da humanidade. Ele alertou para a derrocada da União Soviética, a crise econômica global de 2007/2008 e, agora, dirige suas atenções à União Europeia, que sofre as tensões de uma possível fragmentação do euro. Na última quarta-feira (08.07), ele esteve em Porto Alegre para compartilhar com o público do ‘Fronteiras do Pensamento’ algumas de suas ideias.

O tema da edição de 2015 do Fronteiras é ‘Como viver juntos no mundo?’. Gray, nesse sentido, alerta sobre a impossibilidade de se viver limitado a um único sistema de ideias, pois acredita que o futuro reserva democracias, monarquias, impérios, regimes tirânicos... exatamente da forma como existem hoje e como existiram no passado. Ele cita o Nazismo e o Fascismo como exemplos de modelos únicos que falharam.

Gray sempre se posicionou contra a guerra no Iraque, iniciada em 2002. Ele critica os entusiastas que achavam ser possível instaurar uma democracia no país. O mesmo se aplica à Líbia, onde Muamar al Kadafi desafiou a Civilização Ocidental, mas acabou morto pelas forças rebeldes. O britânico pondera que as consequências da queda dos dois regimes foram desastrosas. E nesse contexto, vai além. “Acho que não existe um único exemplo de mudança de regime que tenha alcançado os resultados esperados”, avalia.

Categórico, considera incurável a tendência dos povos ocidentais em buscar um estado único de universalidade. Gray afirma que muitos o criticam por considerá-lo pessimista. Com bom humor, ele responde dizendo acreditar no curso natural da história, pois ela passa por períodos de bonança e crise. Os conflitos por motivos de nacionalidade, religião, raça, etc, vão continuar acontecendo. Ou seja, seu pessimismo seria, na verdade, apenas uma observação da aventura humana na Terra.

Em relação à crise internacional na Grécia, o britânico analisa que, sem acordo, o futuro do euro vai entrar em xeque. Cita os índices de desemprego no país, onde 50% dos jovens não conseguem trabalho. Alega que os descompassos econômicos fazem essas pessoas perderem anos de sua vida, ou seja, o euro é mantido à custa do sofrimento do povo. Depois da Grécia, prevê que Portugal, Espanha e Itália sigam o mesmo caminho, cujo rumo sinaliza o fim do experimento europeu de uma moeda única.

Um dos aspectos mais importantes da explanação de Gray foi a diferença entre ciência e política. Ele vê a ciência como progressista, isto é, as descobertas de gênios do passado auxiliam os gênios do presente. A política, entretanto, não evolui na mesma escala. Muitos dos problemas registrados em Roma, por exemplo, podem ser observados nos dias atuais. Não há uma continuidade como a que auxilia as novas tecnologias. “Constantemente, precisamos começar de novo”, conclui.

 


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