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Gaúcho Caco Barcellos palestra a seus conterrâneos Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Sexta, 28 de Agosto de 2015 - 10:03

 MG 4921A 34ª Convenção Gaúcha de Supermercados - Expoagas 2015 – recebeu, na tarde de quarta-feira, 26/08, o jornalista Caco Barcellos, para falar sobre o tema: Profissão Empreendedora. O criador do ‘Profissão Repórter’, da Rede Globo, falou por duas horas, a uma plateia atenta, sobre as suas experiências ao longo de quase 40 anos de profissão.

Entusiasmado por falar a seus conterrâneos, Caco Barcellos relembrou sua infância difícil e também os valores familiares, tão essenciais à formação, como o caráter de qualquer profissional. “Eu tive duas heranças. Meu pai deixou uma herança sintetizada em três palavras: vergonha na cara. E meu avô, que era carroceiro e vendia legumes e frutas no Partenon (bairro de Porto Alegre), que gostava de tomar umas pinguinhas, deixou o conceito de dinheiro no bolso”, disse, Caco, ao ironizar o fato de que seu avô parecia se preocupar pouco com dinheiro, uma vez que baixava o preço de seus produtos e até os distribuía gratuitamente. E ainda destacou: mais que prosperidade é preciso valorizar bens que o dinheiro não compra. “Há o risco de no final da vida você perceber que se tornou uma pessoa extremamente pobre, porque a única coisa que você tem é dinheiro”. E concluiu: “Olha que pobreza. No fundo, uma vida extremamente pobre”.

Ao falar para um público de jovens, Caco destacou as mudanças que as novas tecnologias propiciaram. Quando antes o repórter devia estar no local do acontecimento para contar o fato primeiro, hoje as imagens giram o mundo, em tempo real. “O repórter chega depois. A nossa função hoje não é a de contar primeiro. Seria burrice chegar antes dos equipamentos que já estão ligados permanentemente, 24 horas. O que temos a fazer é contar melhor. E isso a máquina ainda não faz”, ressaltou o veterano no jornalismo, ao ressaltar que o repórter deve se preocupar com a qualidade do que produz.

Ainda sobre o tema, Caco chamou a atenção para um jornalismo equilibrado, preocupado em ouvir todos os lados. E destacou que seu trabalho é concentrado no retrato, cobertura e exposição da história das vítimas, e não em apontar o dedo contra aquele que provocou a injustiça.
Após mostrar aos presentes a reportagem que produziu e apresentou sobre o apartamento do juiz Nicolau dos Santos Neto, em Miami, comprado com dinheiro de corrupção, o repórter lembrou o papel do jornalista como agente social. “Eu fiz academia, mas nunca um mestre me disse: você deve ser poderoso com os fracos e fraquinho com os poderosos. Ora, se nunca me disseram isso e eu tenho vergonha na cara, então eu tenho que fazer a reportagem”, disse. Finalizou mencionando os avanços a respeito do jornalismo investigativo: “Se antes não se mexia com os poderosos hoje eles estão sendo presos”.

O veterano jornalista falou do cuidado necessário ao gerir a carreira, e ressaltou: “Nunca se pode colocar em risco a credibilidade, tanto da empresa quanto pessoal”, pois se trata de um processo de longo curso, que pode ser destruído em segundos. E exemplificou: se você é um repórter local, porta da rede, e erra ao vivo o nome de uma pessoa, se ela for poderosa, pode acabar ali o seu esforço de muitos anos.

Ao falar do projeto Profissão Repórter, onde atua ao lado de jovens recém formados, disse ter procurado deixar de lado o que não gosta nas ações da imprensa e incentivar o que lhe agrada, buscando a estrutura para esta situação ideal. Declarou ter sofrido certa resistência por parte dos gestores da Rede Globo, ao colocar jovens que nunca haviam estado à frente de um microfone, em um programa de abrangência internacional. “Chegaram a dizer que eu estava negando a minha própria trajetória, já que passei pelo cotidiano da busca de prosperidade na carreira,” disse. A prosperidade que Caco se refere é a escalada de um repórter ao longo da carreira. Um repórter de rede leva em torno de 10 anos como repórter local, depois, até chegar a um Jornal Nacional, são mais 10 ou 12 anos.

Ao referir-se aos processos seletivos, foi enfático: o jovem deve ser persistente e apresentar suas qualidades para se diferenciar no mercado de trabalho. Usou a palavra cruel ao lembrar que o último processo “caça talentos”, da Rede Globo, empresa em que atua, contou com 26 mil candidatos disputando 11 vagas, um processo semelhante a uma peneira (seleção que os clubes de futebol fazem para descobrir novos jogadores) do Flamengo.

Caco Barcellos ainda falou sobre injustiças e desigualdades sociais, violência cotidiana, reiterou o papel do jornalista como agente social e questionou a polícia que mata.

 MG 4968

 


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