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Sacolas produzidas com jornal Imprimir
Terça, 28 de Julho de 2009 - 00:17

Embalagem_Presente_-_CruaSe as sacolas produzidas em algodão já eram um avanço para a preservação do meio ambiente, as confeccionadas a partir de jornal reciclado são um  dsinônimo de geração de renda aliada a conscientização ambiental. As sacolas produzidas com  jornal são 200% sustentáveis. A afirmação é do artesão e coordenador da RECICLAGE, produtora de brindes e sacolas eco-sustentáveis, Ricardo Schuck Rocha.  Segundo ele  o projeto surgiu em dezembro de 2007, com a expectativa de construir um mundo melhor, com justiça social, igualdade e educação ambiental, através da reciclagem de materiais.

As sacolas eco-sustentáveis são produzidas com jornal reciclado, que é obtido por meio dos papeleiros da Ilha dos Marinheiros, localizada em Porto Alegre. No início, por falta de espaço físico na Capital, o trabalho era desenvolvido na casa da mãe de Ricardo, em Tramandaí. Lá trabalhou com senhoras de um grupo de terceira idade. Hoje em dia, são cinco pessoas capacitadas que podem ser acionadas a qualquer momento, assim que houver demanda. Todo o trabalho de produção é feito de forma artesanal, com capricho e muita dedicação. “Nós costumamos dizer que o processo de produção é chamado de “industrianato”, separado em fases, como se fosse um processo industrial, porém sem utilizar maquinário”, explica o idealizador do projeto.

Os únicos insumos utilizados na produção das sacolas são água, cola branca, anilina para colorir as sacolas, sisal trançado para a alça, o jornal e o papelão. A atividade não gera resíduos e tampouco lixo. Ricardo explica que utilizam somente algumas ferramentas e moldes. O processo produtivo das sacolas requer quatro fases, do jornal cru e empilhado à impermeabilização da sacola. As fases compreendem a preparação das folhas, a dobradura, a impermeabilização e o acabamento. “O nosso principal recurso da produção das sacolas não é o jornal e sim o trabalho das pessoas envolvidas”, desabafa Ricardo.

A produção das sacolas envolve cerca de 10 pessoas e leva em média 10 minutos para finalizar uma peça. As pessoas fazem as sacolas nas suas próprias casas, e da maneira que mais lhe convier, pode ser até assistindo televisão. Para o coordenador do projeto, a RECICLAGE não se trata de uma empresa, e nem de assistência social e, sim, de um projeto de geração de renda, conscientização ambiental e reaproveitamento de materiais. “Nós fazemos o novo dentro do velho. É um negócio sustentável”, diz ele.

Diariamente são impressos e distribuídos cerca de 530 milhões de jornais em todo o mundo, segundo a Associação Mundial dos Jornais (WAN, em inglês). A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), baseada em dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), estima que no mercado brasileiro circulam cerca de oito milhões de jornais diários. Diante teste contexto, Ricardo afirma que há muita matéria-prima para seu trabalho e que é possível reaproveitá-la em tua totalidade. “Tem muito jornal para fazer muita sacola e muita gente que precisa de trabalho, já que, hoje em dia, as pessoas usam sacola para tudo”, declara. Por enquanto, por falta de estrutura física, os materiais para a produção das sacolas ficam na casa de Ricardo, onde também é o escritório da RECICLAGE. “A idéia é constituir um núcleo modelo, fazer o processo funcionar corretamente e ter uma demanda fixa que seja uma garantia de que cinco ou seis pessoas estejam trabalhando integralmente em um lugar próprio”, explica.

A principal barreira que encontrou nesses anos, quando o projeto ainda estava decolando, foi a falta de consciência das pessoas em relação às questões ambientais e a utilização de produtos recicláveis. Ricardo conta que na primeira visita que fez a diversas lojas da cidade, teve zero por cento de retorno, ao contrário do que imaginava, quando pensava ser carregado pelos ombros feito um herói, pela iniciativa de produzir sacolas de jornal. “As pessoas não têm a percepção exata do problema e do tamanho que é o lixo. O lixo hoje é a principal evidência de que a gente é insustentável” conta. A idéia de Ricardo desde o início sempre foi a de colocar em prática a questão de ativismo e da consciência ambiental. “Quando tu ofereces uma sacola de jornal para uma pessoa tu estás dizendo várias coisas para ela, e o mesmo funciona quando um lojista substitui uma sacola de plástico pela de jornal, ela está realmente engajada” conclui.

A questão ecológica vai muito além de discutir e debater sobre o assunto. Ainda há muita coisa a ser feita, como atitudes e ações a favor do meio ambiente. Para o artesão, é preciso ter a idéia da reciclagem, mas também a atitude de agir socialmente. “As idéias estão aí, é só trabalhar. Esse está sendo o nosso desafio: fazer com que as pessoas consigam perceber o quanto há trabalho com a reciclagem”, comenta. Hoje as sacolas da RECICLAGE atingiram o nível de excelência, mas após um longo tempo de aprendizagem e estudo das  formas, materiais, acabamento e resistência do produto. Uma sacola grande suporta até cinco quilos. “Nesses 18 meses produzimos cerca de 3.500 sacolas, isso corresponde a 144 quilos de papel reaproveitado, o que resulta em apenas duas árvores e meia” explica  com grande entusiasmo o coordenador e artesão da RECICLAGE.

 


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