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Mês farroupilha é de muito trabalho para artistas regionais Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Domingo, 20 de Setembro de 2015 - 10:52

20setembro 2015Foto de Moisés MachadoÉ em setembro que milhares de gaúchos de nascimento ou coração, mas, acima de tudo, identificados com os ideais de cultura da terra rio-grandense, se reúnem em piquetes, Centros e Departamentos de Tradições Gaúchas (CTG / DTG) e acampamentos, dentro e fora do Estado e até fora do país. Homens com suas bombachas, lenços no pescoço e chapéus de aba larga e prendas arrastando por salões ou galpões seus vestidos  floridos para, juntos, comemorarem o orgulho de terem nascido gaúchos e reviver os costumes dos antepassados.

Os festejos despertam no peito de gaúchos e gaúchas um sentimento de orgulho e amor à terra, mostrando que as tradições e o folclore estão mais vivos do que nunca. Esse sentimento e os próprios festejos são imortalizados em várias canções, como no caso de “Retrato Gauchesco”, de Mauro Moraes, que diz: “dá gosto ver um gaúcho e a cada dia me lembro. Noutro vinte de setembro mais entonado que um galo. Hoje a mão que bota o pealo levanta o pano sagrado. Um pavilhão desfraldado e o Rio Grande de a cavalo”, retratando em versos as comemorações.

A festa, regada a churrasco e chimarrão, também tem música de qualidade. É nessa época do ano que músicos, cantores e grupos de música regional aproveitam para colocar um dinheirinho extra na guaiaca. Ao longo do ano, a média de shows dos artistas mais conhecidos do público é de 10 a 12 apresentações mensais. Em setembro, esse número gira em torno de 25.  

César Oliveira e Rogério Melo, dupla com mais de 10 anos de formação, chegou a fazer em um ano 4 shows em um mesmo dia, hoje percorre cerca de 3 mil quilômetros durante os festejos farroupilhas. Hoje, a dupla diminuiu o número de apresentações. Além de atender a demanda, quer qualidade, evitando atrasos ou faltas. O itinerário das viagens é uma das preocupações dos artistas. “Tentamos formar um itinerário, e que ele seja racional. O Rio Grande do Sul é grande, tem as dificuldades das estradas.  A maior tática que adotamos é que esse itinerário seja favorável ao horário. Que possamos chegar ao lugar e ter tempo, não chegar com atraso, isso é muito ruim”, diz César Oliveira. 

A intensidade das viagens e muito tempo longe de casa também são dificuldades no dia a dia dos artistas. O diretor do grupo Os Serranos, Edson Dutra, com 47 anos de estrada, lembra que o apoio da família é muito importante. “Posso dizer que sou um privilegiado, pois sempre tive o entendimento de minha mulher e dos filhos, que se criaram nesse ambiente de ausência da presença física do pai. No entanto, nossa relação, mesmo em função disso, é extremamente amorosa”, destaca Edson. 

Embora o momento seja bom, segundo empresários e artistas do ramo, o setor não passou imune à crise econômica que o país atravessa. César Cattani, empresário do cantor Luiz Marenco,este também um recordista, realizando em 2013, 33 shows no mês de setembro, aponta que, embora o ano venha sendo muito positivo e o mês de setembro tenha mantido sua média, alguns eventos acabaram não ocorrendo ou ocorrem com cantores com menor custo. “Muitas cidades cancelaram shows devido a crise. Algumas cidades fortes, como Gravataí e Caxias do Sul, por exemplo, cancelaram. No entanto, outras estão numa crescente, como Guaíba, Erechim, Chapecó e isso é muito bom”, disse Cattani, que acredita que os cantores menos conhecidos é que tenham sido mais afetados com a crise econômica.

Outras dificuldades apontadas pelos artistas são a falta de sono adequado, estradas ruins, estafa, stress. Para isso eles aproveitam o trajeto entre um show e outro para descansar e dormir. Confira abaixo a entrevista realizada pelo Universo IPA com os cantores César Oliveira e Rogério Melo.

 


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