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Evangélicos podem chegar a 50% da população brasileira em 2020 Imprimir
Escrito por Edimar Blazina   
Sexta, 30 de Outubro de 2009 - 14:24

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Conta a Bíblia que Moisés, orientado por Deus, abriu o Mar Vermelho e fez um povo passar por ele. Desde então, e passados milhares de anos do evento bíblico, algo parecido repete-se em São Paulo todos os anos. Não há nenhum mar sendo partido ao meio, ou milagre como nos tempos do Êxodo, mas aproximadamente cinco milhões de pessoas saem às ruas de uma das maiores cidades do país para declarem sua fé, em um evento chamado “Marcha para Jesus”. São os evangélicos, setor da sociedade que cresce silenciosamente e que, segundo projeções da revista Época, pode chegar a 50% da população brasileira em 2020.

Histórico e números

Os primeiros protestantes chegaram ao país no século XIX, frutos da revolução provocada por Lutero, em meados de 1500. E, desde lá, muita coisa mudou. Em 1890, a soma total de protestantes em terras brasileiras não passava de 100 mil, mas, atualmente, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, são 49,9 milhões de pessoas em mais de 14 mil igrejas. “Temos visto uma verdadeira revolução cristã no Brasil”, afirma o pastor Klinger Portella, da Igreja Renascer em Cristo, de São Paulo, uma das denominações que mais cresce no país.

A Renascer, que surgiu em 1986, fundada por Estevam e Sônia Hernandes, líderes até hoje, é responsável por trazer o conceito “gospel” ao país ao introduzir o rock, samba e muitos outros ritmos às suas reuniões, além de utilizar os meios de comunicação em massa para atingir um público cada vez maior. A igreja hoje possui uma rede de TV e rádio, além de mais de mil templos espalhados pelo Brasil e o mundo.

De acordo com Kligger, a Marcha, como é chamada pelos fiéis, é uma das provas do crescimento dos evangélicos no país, “A Marcha para Jesus neste ano deve reunir cinco milhões de pessoas nas ruas de São Paulo. Isso, sem dúvida, é uma prova da força e do crescimento dos evangélicos no Brasil”, afirma.

Um mercado promissor

O crescimento desta fatia da população, que não foge às regras de consumo e mercado, tem atraído a atenção de empresários. O interesse por CDs evangélicos, por exemplo, fez com que a gravadora ‘Som Livre’ fizesse, recentemente, um acordo com cantores do meio gospel para comercializar suas músicas, tamanho o número de vendas. Os produtos cristãos movimentam R$ 1 bilhão no país por ano, segundo informações do site UOL. De acordo com especialistas do setor, o crescimento em produtos deste gênero, como bíblias, CDs, DVDs, e publicações em geral, deve ser de 30%, só em 2009, um número alto ao considerar as quedas nas vendas no meio secular.

Fatos que justificam o crescimento

Em entrevista à revista Época, a antropóloga Christina Vital, afirma que o crescimento deve-se à fácil adaptação do discurso dos evangélicos ao seu fiel, “Enquanto a Igreja Católica vai dizendo ‘não pode usar camisinha’, a igreja evangélica vai se adaptando à sociedade”, afirma ela. Os pastores não negam o discurso apresentado pela antropóloga, como afirma Kliger: “Hoje, nós conquistamos uma liberdade para levarmos a ‘Palavra’ a todas as pessoas, dos mais diferentes estilos e classes sociais, e onde há a presença de Jesus, ali há uma verdadeira revolução”. Entretanto, fazem uma ressalva: “vemos o crescimento como um sinal do mover de Deus em nós”.

 


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