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Imprensa, TCE e o jornalismo investigativo Imprimir
Escrito por Matheus Pannebecker e Rafaela Haygertt   
Quinta, 22 de Abril de 2010 - 17:49

tce-rolim2A responsabilidade da imprensa na fiscalização dos governos e na apuração das informações, a cobertura das investigações do Ministério Público que correm em sigilo e a relação da mídia com os tribunais de contas, foram alguns dos temas abordados no seminário: "O Tribunal de Contas e o Jornalismo, na última terça-feira, dia 20, no auditório do Tribunal de Contas do Estado. O evento foi uma promoção da Escola do Tribunal de Contas do Estado, (TCE) e da Assessoria de Comunicação Social (Ascom).

Segundo o diretor de Comunicação do TCE, Marcos Rolim, o objetivo do encontro é conquistar um melhor diálogo com a imprensa e esclarecer as atribuições do Tribunal de Contas. "Sem uma carga de informação, o jornalista não tem como fazer perguntas nem cobrar responsabilidade das autoridades", esclareceu o diretor.

 

Reportagens Investigativas vem decaindo nas últimas décadas

Um dos painéis do seminário debateu sobre o jornalismo investigativo. O palestrante foi o jornalista Solano Nascimento, professor da UnB, pesquisador e autor do livro "Os novos escribas", onde constam os resultados de sua pesquisa sobre o jornalismo investigativo no Brasil. Seu currículo inclui 15 prêmios jornalísticos, entre eles o Ayrton Senna, Esso e Vladimir Herzog.

O pesquisador trouxe como base para a apresentação o seu estudo sobre o jornalismo investigativo no Brasil. A principal abordagem foi o paralelo entre jornalismo investigativo - que inclui reportagens feitas pelos próprios repórteres - e o jornalismo sobre investigação - com reportagens baseadas em investigações já divulgadas oficialmente.

A pesquisa analisou a cobertura jornalística dos escândalos políticos em três revistas semanais do país - Veja, IstoÉ e Época - nos anos em que houve disputa presidencial, desde a redemocratização, da eleição de Fernando Collor de Mello, em 1989, à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.

Nascimento concluiu que o jornalismo investigativo tem perdido espaço para o jornalismo sobre investigações. E o dado que explicita essa constatação revela que no ano de 1989, 75% das reportagens eram investigativas e, em 2006, decaiu para 30% .

O palestrante analisa o jornalismo sobre investigações como um produto da acomodação do profissional, já que, ao basear-se em informações já divulgadas, o trabalho fica fácil demais e não causa motivação para o profissional sair a campo e investigar. Entretanto, Nascimento mostrou-se confiante e acredita em mudanças: "Eu aposto nos jovens jornalistas para reverter essa situação!".

De acordo com o jornalista, uma matéria para ser investigativa depende apenas de um detalhe: ser apurada pelo próprio repórter. "Hoje, apesar de termos tecnologias que auxiliam na coleta de informações para uma matéria investigativa, há uma terceirização da informação", lamenta Solano. Entre as principais causas dessa queda de qualidade no jornalismo investigativo destaca o aumento da oferta de informações resultantes de investigações, a redução de custos por parte da empresa de comunicação e, principalmente, a acomodação dos jornalistas.

A palestra não se limitou apenas a essa discussão. O convidado também respondeu às perguntas do público. E, entre tantos assuntos, falou sobre suas experiências acadêmicas e suas ideias sobre o jornalismo. "Nós (jornalistas) não somos artistas. Não podemos ficar deitados na rede, esperando que uma inspiração venha e nos traga uma grande reportagem", declarou Nascimento.

Questionado sobre a instantaneidade da Internet e os prejuízos que pode ocasionar ao jornalista na hora de buscar informações, Nascimento foi categórico. "Acho que isso não é uma justificativa, já que hoje em todas as profissões há essa pressão", respondeu.

Ao encerrar a palestra, o jornalista afirmou que o melhor caminho para o sucesso no jornalismo investigativo, assim como em toda a profissão, é conquistar o maior número de fontes possíveis. Também destacou que nunca uma boa reportagem vai deixar de ser publicada: "Por mais que o chefe seja chato, mal-educado ou ignorante, ele nunca vai colocar no lixo uma boa pauta".

Para a Assessora de Imprensa da CEEE, Andréia Fantinel, que participou do seminário, as informações foram muito esclarecedoras, e que passou a entender melhor o papel do TCE.

De acordo com o diretor de Comunicação do Tribunal de Contas do Estado, Marcos Rolim, este foi o primeiro de uma série de encontros entre a imprensa e o Tribunal de Contas do Estado.

 


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