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Capa Memória Geral Jean Michel Cousteau, o protetor do mar
Jean Michel Cousteau, o protetor do mar Imprimir
Escrito por Rafaela Haygertt   
Sexta, 09 de Julho de 2010 - 22:09

jacquesUm velho ditado, 'filho de peixe, peixinho é', pode ser aplicado, com propriedade, ao ambientalista francês, Jean Michel Cousteau, filho de Jacques Cousteau, oceanógrafo e pioneiro na descoberta dos recursos do fundo do mar que, em visita a Porto Alegre, palestrou, no Centro de Eventos da Fiergs, na manhã da ultima quinta feira, 8 de julho.

O encontro, promovido pelo Instituto Euvaldo Lod (IEL) e a Fiergs, com o apoio do Sesi, reuniu empresários, ambientalistas, estudiosos e admiradores do trabalho do oceanógrafo, que discorreu sobre a responsabilidade de gerir a grande empresa chamada 'natureza'.

Conhecido como um dos principais defensores dos oceanos, Jean Michel é o fundador Ocean Futures Society (OFS), uma organização que busca desenvolver soluções sustentáveis para a vida marinha.

No inicio do seminário Cousteu falou sobre o lixo que é lançado no mar, para ele, um dos maiores problemas ambientais. Como exemplo citou as ilhas no norte do Havaí, um grande depósito de mais de 50 países. Entretanto, graças a sua intervenção e ajuda do governo americano, hoje o local faz parte do patrimônio internacional e o problema foi solucionado.

O pesquisador ressalta que o sistema aquático é único e as águas dos rios também são oceânicas. Se um saco de lixo for jogado num riacho ele chegará no mar em algum momento. E reforça: "Sem água, não há vida, a água poluída é sinônimo de doença e morte".

E quando o tema foi a água potável no planeta, o convidado lembrou sua importância e também o seu custo. "Quando vou aos Estados Unidos, pago duas vezes mais por uma garrafa de água do que pela gasolina que coloco no meu carro, e isso é absurdo", comenta.

Outro tema abordado pelo ambientalista foi à emissão de gás carbônico e a sua associação com as mudanças climáticas. Cousteau afirma que, desde o surgimento da humanidade, o homem contribui para alterar o clima. "Agora o que estamos fazendo é acelerar essas mudanças".

Para ele, é fundamental gerirmos de forma mais adequada a natureza, tendo em mente que ela é uma grande empresa. "Trata-se de salvar a nós mesmos", sintetiza. "Estamos tirando mais do que o oceano pode produzir", denuncia Cousteau.

É preciso mudar a idéia que temos de alguns animais aquáticos, alertou o oceanógrafo, que exemplifica com o tubarão. Trata-se de um grande responsável pela limpeza do oceano, e no entanto, é muito mal retratado por Hollywood.

Cousteau exibiu alguns filmes que produziu para a OFS, enquanto explicava sobre o comércio e o cultivo de peixes. Uma das criações destacadas pelo convidado foi a de Salmão. "É preciso 12 quilos de peixes silvestres para se obter apenas um quilo de salmão, que é um peixe carnívoro", relatou. "Hoje procuramos incentivar a cultura de peixes herbívoros".

Otimista, o oceanógrafo vê o diálogo como possibilidade de recuperar o planeta e acredita nas novas gerações, as quais nasceram com informações e ensinamentos de como preservar e lutar para proteger a natureza.

Após a palestra, o oceanógrafo francês abriu espaço para perguntas da platéia. Durante os questionamentos, Cousteau afirmou que os países devem se posicionar com relação à caça de tubarões.

O ativista defendeu que o público não pode ser culpado pelo que ignora. Mas, salienta, "nós consumidores podemos tomar decisões melhores". O importante, conforme o cientista, é ajudar os pescadores a aprender a criar os peixes de uma forma correta. "Estou do lado dos pescadores, quero ajudá-los", assegurou.

O estudante de Biologia Brites Pereira, diz ter gostado da palestra. "Foi muito boa, bem interessante, com informações bem atualizadas", avaliou.

Com apenas um quilograma de alimento não perecível, foi possível assistir a uma palestra histórica. E para conhecer mais o trabalho da fundação presidida por Cousteau, basta acessar o site: http://www.oceanfutures.org/

 


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