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Escrito por Luis Bustamante   
Quinta, 19 de Abril de 2007 - 17:44

20070419_reportagemPouco antes das oito horas de uma manhã como outra qualquer.

O centro da cidade ainda boceja, aspirando resíduos da noite anterior - bebidas, cigarros, risos, choros, sexo, ternura e violência.

Seria realmente uma manhã como outra qualquer não fosse aquele surpreendente e emocionante acontecimento que os noticiários intitulariam como
O breve vôo de um homem.

Tudo teve início um pouco antes dessas ensolaradas oito horas da manhã. O homem subiu no parapeito de uma janela, no oitavo andar de um edifício bem central e de lá gritou que iria cometer o maior feito de sua vida e da vida de todo mundo - iria voar. Sim. Voar! Sem asas, sem aparelhos. De verdade mesmo. Não era truque, não.

Todas as pessoas, que por ali passavam, paravam e olhavam para cima. Começava algo como uma histeria coletiva. Uns gritavam pula!, outros gritavam não pula! Uns diziam que era mais um louco, outros mandavam esses calarem a boca e todos olhavam para cima e todos estavam certos de que este seria mais um caso de suicídio, que é um problema social, que tinham mais o que fazer e que a polícia é que se virasse. Veio a polícia. O homem continuava fazendo a propaganda - façam suas apostas, preparem suas máquinas fotográficas... o sonho de Ícaro, enfim, realizado!

Os policiais se viraram mesmo, mas não houve jeito de tirarem o louco daquela janela. - Merda! - disse o chefão - Pois que se jogue esse imbecil... vamos esperar pra ver no que dá... Tinha um gari ali por perto, que ficou pensando na droga que seria ter que tirar o homem estatelado no chão, limpar o sangue e toda aquela coisa.

O homem se jogou. Lá do oitavo andar. E voou! Ninguém conseguiu dizer qualquer palavra. Todo mundo calado assistindo as peripécias e evoluções do primeiro homem que conseguia voar sem qualquer artifício.

Foi quando o chefão dos policiais se deu conta das muitas complicações que aquele fato iria provocar. Alvoroço, correria, espanto de todo mundo! E, como colocar no relatório uma coisa maluca como a que estava presenciando?

Ia bater oito horas. O chefão puxou do revólver e atirou. Uma... duas... seis balas alcançaram o homem que voava e que foi caindo como um passarinho.
Oito e ponto. Dispersada a multidão. Ficaram só os repórteres que no outro dia - que não seria diferente daquele - noticiaram: Homem enlouquece e joga-se do oitavo andar
Sobrou mesmo foi para o coitado do gari que teve de fazer a limpeza.

 


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