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Escrito por Vado Vergara   
Sexta, 19 de Setembro de 2008 - 15:24

Devagar, com cautela, para começar a desejar os pequenos detalhes de felicidade passageira. Assim como a quero. Somente de passagem, acariciando minha face de uma estranha beleza ansiosa e lenta como um processo amistoso de boas vindas. Dá-me um formigamento que faça o corpo tremer através do medo do suportável. E, se for impossível, me dê calor para aquecer o gelo dos ossos que forcejam ampulhetas, se for possível, não quero. Quero que o fogo acenda a água e exploda as estrelas num ritual de atrevimento incalculável.

Ah, como é fácil complicar esses momentos mágicos de distração momentânea, onde posso esquecer até mesmo quem sou e pensar no que não fazer para depois descansar. Descanso o pranto, alago o lago e me afogo em êxtase. Logo transformo dois em quatro para encher o prato de fome e começar tudo novamente. Numa nova mente regada com aditivos desordenados de palavras sem sentido, brota uma semente de obrigação querendo ser o desequilíbrio despreparado da criança que nunca se acomoda. Essa ingenuidade que em um pequeno momento transforma o riso em gargalhada. Um retrato familiar pendurado na parede como uma recordação de velhos amigos que se vêem todo dia.

Penso numa trégua com a ilusão para apertar a mão daquele que me obriga, e não pede. Ou briga e fere quem não teme, mas deve. Seus deveres de casa são novelos de lã que se desenrolam de uma maneira particular como um refrão de melodias. O som torto de uma música clássica desejando violentamente a alma do trompete de um andarilho sem rumo. O penetra mais querido está presente na casa dos ouvidos tentando encontrar suas memórias perdidas ou suas namoradas engraçadas. Num estado sedutor, celebra a solidão que silencia sua aparição dando uma sensação de glória e graça, com a grande vantagem de poder voltar toda vez que for para onde o trem não pára.

O sono me desperta o calor do sorriso para a sorte de ter sorte em dias que estou cansado. Apenas olho despretensiosamente para a escravidão do ócio. Um olhar que se arrasta durante longos dias de paixão pela suavidade dos corpos entrelaçados forçando a distância da instabilidade do abismo. Meus pés se movem, encurtando a pressa dos corpos, tentando aterrissar na calmaria do horizonte, da cidade que dorme calada fantasiando com o infinito. Os pesadelos de algodão-doce que parecem nuvens coloridas de um dia nublado, fecham a confeitaria e se transformam nos sonhos mais doces.

Todo lugar que paro, flutuo. Os pensamentos me aprisionam onde a tranqüilidade da corrente aponta em direção ao nada, esperando a próxima estação para abrir a masmorra da felicidade.

Estou preso ao inexistente. Preso a velocidade de cada momento que consome e some com as pegadas que marcam a terra, enquanto corro ao endereço onde fica a praça dos desajustados enfurecidos em busca dos olhos de quem não vê. E muito menos sentem a passagem dos momentos minúsculos de alegria que constroem palácios de diamantes.

Logo percebo que toda essa busca me põe numa cadeia de maravilhosos fragmentos de sensações, onde a euforia toma conta do meu sangue e colocam fim a todo meu desprezo, que estava guardado numa antiga caixa de sapatos bicolores mal cuidados. Atento à nostalgia, cai um níquel de bronze para apostar no que há de vir pensando no que já passou. Em homenagem às besteiras que cometi, roubo mil beijos dados e imploro por só mais um.

Envolva seus braços sobre mim e me torne invisível desejando ter um lar, envolva seus braços sobre mim e me torne invencível onde sempre quis estar. Despejo minhas alegrias em meio a toda essa confusão sobre minha liberdade inquieta, esperando que o belo desça num espiral de emoções reguladas gota a gota com destino incerto.

 


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