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Capa Memória Literário Nós, Nozes & Mulheres
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Escrito por Vado Vergara   
Sexta, 08 de Agosto de 2008 - 16:47

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Eu acredito no amor. Eu, acredito no amor. Eu acredito no amor. Eu, acredito no amor. Eu acredito no amor. Eu, acredito no amor. Eu acredito no amor. Eu acredito no amor, acredito. Eu acredito no amor, no amor. Eu acredito no amor, acredito no amor. EU ACREDITO NO AMOR!!!

Entre penhascos e teias, sob sereias e estrelas escuto um eco. Estou sozinho, de quem é essa voz? Cai a minha primeira máscara. Reconheço toda minha fragilidade e não demonstro. Sou frágil como um espinho de uma flor. O eco responde e tento conversar, ninguém me ouve.

Me olho com vergonha no espelho, ele me julga silenciosamente, me devora com seu olhar furioso, porém contido. Exibe vulgarmente todo seu poder, me humilha. Me rastejo até ele, respiro fundo com uma lentidão mórbida e o quebro com toda força da falta da razão. Sou um quebra-cabeça agora. Tento montar, mas não consigo. Me corto apenas para observar o sangue correr das minhas veias nada virginais. Quebro a cruz e retiro os pregos, as chagas permanecem bem como a coroa. Sinto o cheiro de sangue. Isso mesmo, o cheiro do meu sangue. Sangue com cheiro de vida.

Sinto como o mundo estivesse na minha barriga e que fosse nascer em uma semana. Sempre quis ser mãe, para abraçar meu filho e dizer quanto o amo. Quero ser mãe, para ser chamada de mãe, para o mundo me chamar de mãe. Quero o amor de todos os filhos, inclusive os filhos-da-puta. Sangue com cheiro de vida. Escorre pelo meu rosto uma lágrima de felicidade, acho que estou feliz. Anseio o espinho, assim como o amor e suas lágrimas, a morte e suas lástimas, a vida... a vida e suas reticências.

Caminho entre as circunstâncias e meus ouvidos não absorvem, apenas filtram o mundo. Experiências dúbias, porém prazerosas (dolorosas?). Me escondo em palavras que me desnudam. A platéia aplaude e fujo. A nudez é dolorida. E o público aplaude e ovaciona meu desespero: "Bravo, bravo". Tento frustrada me cobrir. De nada adianta, eles continuam a aplaudir. Até acredito que sou brava, mas devolvam meu vestido ou qualquer pedaço de pano. Os olhos cansados rejeitam minha própria nudez, enquanto outros olhos encantam-se com ela. Rezo para que tudo isso passe logo. Sofram com vossa nudez, peço timidamente. Alguém me escuta? Aplausos, aplausos...

Ateu pecador e batizado. O amor diluído em colheres sujas e tomado em doses homeopáticas. Aplausos e rezas me redimem de qualquer pecado. Castigo besta e idiota, consciência ignorante. Tolerância, é nisto que acredito, tolerância. Se me derem tolerância eu acreditarei no amor. Eu amo o amor, mas o que ele tem contra mim. Gosto tanto dele e ele me despreza. A minha sina é gostar de quem não gosta de mim. Olho novamente no espelho quebrado e repito resfolegante três vezes: "eu gosto de mim, eu gosto de mim, eu gosto...", ele me fita desconfiado depois de ter escutado tudo que eu disse e nada responde. Sou o eco. Sou o espelho, sou a cruz, sou a mãe, sou uma prostituta, sou a reza, sou o castigo?

Retiro cuidadosamente a oitava e última máscara, sonho todos os meus sonhos, monto o espelho com os cacos que sobraram e caminho. Caminho até ficar cansado, até os meus pés descalços criarem bolhas, caminho todo um deserto qualquer e bebo meu suor, tento fugir de toda as ilhas às quais me condenei. Prefiro a coincidência ao destino. Danço a valsa de uma velha e esforçada caixa de música, a bailarina sorri para mim. De todo o banquete servido, dou apenas uma insignificante mordida numa maçã. Fico bêbado com o sumo de um amor breve e ressuscito a cada dia questionando a pressa das horas e a longevidade dos dias.

Eu acredito no amor?

Com amor, Vado

 


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