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Quem ensina quem? Imprimir
Escrito por * Jorge Antônio Sant'Ana   
Segunda, 27 de Junho de 2011 - 17:13

luca-vidaLuca tem 6 anos de idade e um séquito de amigos, colegas, familiares. Às vezes, impressiona por sua inteligência, como quando, alguns dias atrás, levava uma bronca daquelas de sua mãe porque, como sempre, não queria entrar no banho. Ao fim do discurso, com os olhos cheios d'água, ele lhe disse: "Quem ama o feio, bonito lhe parece". Outras vezes, chama atenção sua afetividade, demonstrada por gestos como dizer "Te amo" inesperada e espontaneamente a seus pais – que se derretem – ou ao dormir de mãos dadas ou abraçado a suas avós.

Mas Luca não é só virtudes. Quando contrariado, chora e faz birra. Talvez seja um pouco mimado – até por ser filho único -, embora tal defeito não possa ser debitado em sua conta, mas sim na de seus pais e avós.

Seus interesses são brincar com os colegas de escola, a série "Guerra nas Estrelas", desenhos da TV, desenhar, videogames, ouvir historinhas e jogar bola, além de namorar (sim, aos 6 anos).

Namora desde os 4 anos a Liere, colega de escola e loira como ele. Certa vez, confidenciou a seu pai: "Estou com o coração quebrado (sic)". Haviam rompido, mas hoje estão bem.

Atualmente, está aprendendo a jogar xadrez, coisa que seus pais não sabem e estão aprendendo com Luca. Aliás, neste departamento de aprendizagem, eles desconfiam ter mais a aprender com ele do que a ensiná-lo. Por exemplo: Luca perdoa muito facilmente os erros dos outros. Não guarda mágoa nem mesmo quando enfermeiras involuntariamente o torturam fisicamente com uma agulha por não encontrarem suas veias. Dá tchau a elas como se nada tivesse havido. Também se despede sem rancor da dentista que o anestesia e arranca seu dente-de-leite após ter gritado para ela a plenos pulmões: "Tu és do mal, tu és do mal".

Luca é avesso a convenções, como cumprimentar pessoas que conhece pela primeira vez. Um pouco por timidez. É muito tímido.

Suas ambições atuais são ter um cachorro e um irmãozinho. O cachorro vai ter de esperar, pois seus pais trabalham o dia todo e o animalzinho ficaria sozinho no apartamento em que moram, no bairro Santa Cecília. Quanto ao projeto do irmão, apesar da resistência de seu pai, está em fase de execução.

Aos domingos, quando ouve que vai almoçar fora, pede para "almoçar dentro", pois é caseiro e não gosta de sair de casa, até porque estuda em turno integral no colégio Santa Cecília, onde cursa a primeira série, a duas quadras de casa. McDonald's. Videolocadora e cinema são programas de fim de semana.

Quer ser escritor quando crescer, pois está colocando no papel, em desenhos e palavras, a saga "Star Wars". Sua mãe, Clarice da Silva Alves, 39 anos, vê nele o pendor para as artes. Talvez seja herança genética, já que sua mãe é jornalista e trabalha com cultura. Luca, aliás, saiu a ela: é clarinho e, como já foi dito, loiro. O pai, moreno, faz até gosto, já que acha a mãe do guri linda.

Meses atrás, seu pai estava em apuros, pois não conseguia entender sequer uma frase de um texto que lia em casa a trabalho. Estava na cama, ao lado de Luca. Ao queixar-se ao filho da dificuldade de compreensão da leitura do texto, Luca o tomou das mãos do pai, leu um trecho que continha o termo "sistema econômico" e fulminou: "Esvazia a cabeça, pai, que tu entendes o sistema".

Defeitos e virtudes, tudo reunido, fazem de Luca um garoto esperto e com um mundo de possibilidades à sua frente.

Deus te abençoe, Luca Alves Sant'Ana, meu filho!

P.S.: Favor não cobrar distanciamento e isenção deste repórter, por motivos óbvios.

* Aluno da disciplina de Técnicas de Entrevista e Reportagem,
ministrada pela professora Maria Lúcia Pata Melão.

 


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