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Capa Memória Opinião Do tamanho 34 ao 42 sem problemas
Do tamanho 34 ao 42 sem problemas Imprimir
Escrito por Rafaela Haygertt   
Terça, 03 de Março de 2009 - 17:56

20090303_do34ao42A parte mais difícil de ser mulher é o fardo que temos que carregar desde que nascemos.

- É bonita? Ah, mas a filha da Joana é mais redondinha e têm os dedinhos das mãos bem gordinhos, ela é uma gracinha. A menina não é igual a ela, mas pelo menos tem saúde.

E assim começa uma longa jornada de "ah, mas a fulana é desse jeito e..." , "porque você não faz exercícios? quer ficar gorda e feia?". "Você precisa comer mais. Parece uma vareta, magra desse jeito ninguém vai olhar para você".

Gorda, magra, baixinha, alta... Tanto faz. A sua principal obrigação nesta curta vida é tentar se parecer com uma modelo ou, pelo menos, ter as curvas voluptuosas da Juliana Paz. Quanto mais sacrifício fizer para conseguir o corpo perfeito, melhor.

Sempre achei que insegurança e vaidade fossem atributos femininos. Que nada! Meu pai, que segundo ele (e minha mãe também), é muito do macho, também sofre com ela.

- Eu não estou tão gordo assim, né? Eu já perdi três quilos e agora posso comer um chocolate para compensar.

10 entre nove garotas sonham em perder alguns quilinhos. Minha irmã tem um corpo de modelo, 16 anos e tudo em cima. Mas, mesmo assim, não se conforma de ser magra e baixinha. Ok! Ela tem 1,65m, eu no meu 1,50m fico imaginado o porquê de ela se achar baixinha.

A moda agora é ser gordinha. Não gorda daquelas flácidas, mas gordinha, daquelas saudáveis e simpáticas. As meninas que antigamente contavam calorias e deixavam de comer para se parecerem com Gisele, agora contam as calorias, só que para ver se conseguem um pouco mais e, loucura das loucuras, se atrevem até a saborear um delicioso e suculento bife.

Eu, inocente como sempre, continuava tentando emagrecer, até o dia em que vi uma milagrosa reportagem: "do tamanho 34 ao 42 sem problemas". Não é preciso dizer que entrei em crise existencial. "Como assim? Eu estou a anos tentando sair do 36 para o 34!". Foi ai, que eu me lembrei de uma amiga minha. Ela vivia deprimida por se achar gordinha. Só usava preto que, como me disse, "afinava a silueta". Minha amiga era taxada de preguiçosa e avoada. Sempre dispensava os caras legais. Eu suspeitava (do fundo da minha psicologia barata), que os rolos que ela arrumava, os compromissos que não cumpria e a eterna mania de esquecer as coisas importantes, era uma forma de se penitenciar por não ser a Angelina Jolie.

Infelizmente, essa insatisfação consigo mesmo, parece ser algo próprio da natureza humana. É triste que minha irmã não perceba que mesmo não sendo alta ou gordinha, ela é uma garota muito linda e principalmente muito divertida. Minha amiga, ah essa vai continuar se penitenciando, sem perceber que é uma amiga maravilhosa e, mesmo não sendo a pessoa mais magra do mundo, está cheia de admiradores. Mesmo com toda a tecnologia, a maior arma de destruição em massa pode ser um simples espelho.

 


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