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Luto e luta Imprimir
Escrito por Asaph Borba   
Sexta, 21 de Junho de 2013 - 14:38
kiss
O dia 17 de junho foi muito especial para mim. De um lado, como jornalista e cidadão, acompanhando pela TV as concentrações por todo o país, em que o povo dava uma mensagem clara de descontentamento e clamor por mudanças. Porém o dia também foi marcado por estar participando de um culto memorial realizado em Santa Maria, cidade gaúcha em que ocorreu a tragédia da Boate Kiss, que matou 242 pessoas no final de janeiro deste ano. 
 
O clima nas ruas das principais cidades do Brasil era de luta pacífica, mas no culto, havia luto. Entretanto os dois cenários se uniam, pois, tanto os manifestantes das ruas do Brasil, quanto os familiares presentes na Primeira Igreja Batista de Santa Maria clamam e tem o mesmo objetivo:  justiça. Contudo, a justiça que hoje se busca não pode ser aquela maculada por interesses pessoais, econômicos e partidários, que pauta a justiça brasileira, tem que ser qualitativa, total, profunda e principalmente transparente. Pude ver no rosto dos pais e familiares das vítimas gaúchas o desconsolo e frustração. A sociedade brasileira se fragilizou. Ano após ano, governo após governo, a população vê sua dignidade ser dilapidada por uma estrutura nacional endêmica de corrupção e impunidade, que envolve os três poderes. Uma inércia, onde o direito fica estagnado, o desenvolvimento emperra, a infraestrutura torna-se obsoleta e os recursos e riquezas da nação entram em um buraco negro de administrações inaptas que são a base para os mensalões e outros episódios.  Enquanto isso, a justiça morre e o luto se instala antes das tragédias. Os órgãos que devem legislar, executar, fiscalizar e julgar eventos como os ocorridos na Boate Kiss, tumba de mais de duas centenas de vidas, não o fazem ou o realizam sem critérios legais sólidos. E infelizmente, ali começa o risco e a morte, que rondam a sociedade. Isto acontece tanto com respeito à segurança estrutural, que neste caso gaúcho só era uma questão de tempo, mas também quanto a segurança direta, dos cidadãos. 
 
O sistema deficiente mantém na rua, em parceria com o judiciário, criminosos de todas as escalas. Empresários irresponsáveis, bombeiros negligentes, batedores de carteira, estupradores reincidentes, assim como mensaleiros julgados e condenados, mas que ainda soltos, esnobam e ironizam a justiça. Por isso e muito mais, ainda teremos muita luta nas ruas e muito luto nas famílias, como encontrei no evento em Santa Maria. Porém a expectativa derradeira está em Deus que tudo vê. 
 
A esperança se renova para quem, tem fé. Creio que tanto a luta quanto o luto se desfazem quando aprendemos a confiar e esperar em Deus. Sua justiça e seu direito nunca falham. Quando Deus entra no processo, os resultados nunca são paliativos, mas perenes. Resultam em transformações sociais que vão além de centavos em passagens de ônibus, mas que terminam em verdadeiras metamorfoses que atingem os poderes, tanto atuais quanto futuros, pois trazem no seu bojo a exposição, implantação e manutenção da verdade. Infelizmente, para a maioria dos mandatários, a verdade é relativa. Parece ser apenas um conceito impossível de ser alcançado em sua totalidade.  Faz parte de uma imensidão de princípios e valores, que no pós-modernismo foram atenuados pela sociedade que tem como uma de suas maiores características o banalizar e distorcer tudo. Porém, a Biblia diz que Jesus é o caminho a verdade e a vida, e ninguém encontra a real e total verdade sem ele.
 
Esta verdade de Cristo, confronta a injustiça a falsidade e a mentira por ser absoluta e real. Leva o homem a encontrar-se consigo mesmo e a conhecer o propósito de Deus que é formar uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus. Os maiores inimigos da verdade, entretanto, que são o silêncio, a escuridão e a ausência não dão trégua. O primeiro impede de a mesma ser ouvida e compreendida, porque onde há silêncio não há justiça. O segundo é o que impede que a verdade seja vista. A luz é única ao vencer as trevas. Muito do que acontece no Brasil é fruto de escuridão. O terceiro é a ausência. Sem a presença a verdade nunca será conhecida ou compartilhada. As manifestações de rua, assim como as famílias das vítimas unidas e presentes em todos os eventos que abordam o assunto, mostram que o luto é real e tem que ser reconhecido e cuidado por todos. Ontem a Igreja estava presente em Santa Maria e o povo se fez presente nas ruas, buscando muito mais que culpados e mal administradores. Todos buscam a verdade trazida nas mãos imaculadas da Justiça.
 


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