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Capa Memória Opinião O outro lado do programa 'Mais Médicos'
O outro lado do programa 'Mais Médicos' Imprimir
Escrito por *Asaph Borba   
Sexta, 23 de Maio de 2014 - 16:50

MedicosCubaO sol quente do meio dia parece torrar a calçada, quando o carro da Secretaria da Saúde de Xinguara, Pará, estaciona em frente ao prédio onde mora o médico cubano Oscar Gomez. Ao ver minha chegada, logo surge na porta a figura simples de um homem baixo, com os dentes desgastados, com fala e aparência tranquila. Mucho gusto doctor Oscar, soy Asaph Borba, declarei em uma tentativa de aproximação pelo idioma. Mucho gusto, como está? Sua resposta curta deu início a uma conversação que acabou à noite, depois do culto na longínqua cidade Paraense.

Em um papo informal, aos poucos fui descobrindo o outro lado da moeda, no que diz respeito a esses milhares de médicos que deixam suas famílias e pátria, em busca de uma oportunidade única. A vida miserável na Ilha de Fidel, bem conhecida por mim, é sem dúvida a motivação principal que faz com que estes profissionais se aventurem em um programa além mar. Comparado com o salário pago na distante pátria, os cerca de R$2 mil mensais (que é a parte que lhes toca dos 10 mil pagos ao governo cubano), somado à moradia e ajuda na alimentação, parecem uma fortuna. Mas o que mais chama atenção é que diz o secretário da Saúde Municipal, um cristão amável, chamado Alessandro Arraes. "Ele é um dos melhores médicos que temos na região. É incansável, atende aqui na cidade e nos distritos, sem ter a obrigação de fazê-lo", declarou.

Convidei o cubano para ir ao culto evangélico, onde eu iria cantar e pregar. E para minha surpresa, às 19h30 lá estava ele arrumadinho. Ficou toda a reunião e depois ainda fomos jantar. Tive então a oportunidade de ver o quadro mais de perto. Questionado sobre o fato de a mídia nacional estar alertando a população, sobre o risco dessa legião cubana ser um instrumento de doutrinação ideológica, o homem simplesmente diz: "somos todos médicos e estamos aqui para fazer nosso trabalho ajudando as pessoas, e depois, voltar ao nosso país".

Longe da esposa e sem muitos amigos, Gomez vive para o trabalho. Chega atender quase uma centena de pessoas todos os dias. Forçado a aprender português no consultório, o médico declara ser a língua, o principal obstáculo para o exercício da profissão. Acrescenta que este é também o desafio de seus colegas compatriotas. Isso deve-se ao fato de atenderem pessoas de baixa renda que nem mesmo falam bem o português e nesta região, tem o agravante de uma parcela de população ser indígena, o que dificulta ainda mais a comunicação.

Meu principal enfoque com este artigo é procurar mostrar que, pelo menos, uma grande parte deste contingente, está aqui para o que vieram: ser médicos. "Até a chegada dos estrangeiros a população de Xinguara penava pela falta generalizada de médicos, mas agora temos até um especialista neuro pediatra Cubano que atende toda a região. O programa mais médico é ótimo", conclui o secretário.

Temos orado pelo nosso país e abençoado o governo e seus programas. Vi, em uma cidade distante, de difícil acesso, para onde médico nenhum quer ir, a população sendo atendida. Mas o que realmente me alegrou, foi ver Oscar sendo tocado pela palavra de Deus naquele culto e, depois, sendo recebido com amor pela Igreja. Pensei comigo mesmo: e se Deus tirou estes seis mil médicos para fora da Ilha comunista para conhecerem a Cristo? Pois a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus.

* Asaph Borba, jornalista formado pelo curso de Jornalismo do IPA é um cantor de destaque na música gospel mundial.
Junto com sua esposa Rosana, tem levado milhares de vidas no mundo todo, a um encontro pessoal com Jesus Cristo.

 


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