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A arte contada com a alma de Jomi Imprimir
Escrito por Clarissa Madalozzo   
Segunda, 03 de Agosto de 2009 - 16:09

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O brilhantismo da arte não falada, prova viva da comunicação eficaz e produzida com puro sentimento, é a Pantomima, ou mímica, a mesma que Chaplin usou no cinema, no antológico papel de o Vagabundo. E foi com esta linguagem que, numa quinta-feira gelada, o Instituto Goethe apresentou para os gaúchos o renomado ator alemão Josef Michael Kreutzer, o Jomi, um perito em arte gestual.

A peça durou pouco mais de uma hora e meia e surpreendeu. Além de emocionar, fez o público dar boas gargalhadas.

O que foi mais incrível? Um ator que representou mais de dez personagens sem falar uma única palavra e num silêncio absoluto agregou o movimento, o olhar e a expressão à sinceridade de sua interpretação.

Havia perfeição nos movimentos junto à convenção, ah sim! Essa convenção tão bem trabalhada por Jomi que uniu a transformação corporal detalhada em cada personagem.

Terei a audácia de dizer que vi Charlie Chaplin no palco e, pela primeira vez, pude compreender o que não foi falado, porque o que a alma conta não se ouve, se sente!  

A peça  

Foram seis esquetes.  O primeiro 'No Memorial do Parque', Jomi brinca ao interpretar vários personagens como a criança que lambe prazerosamente o seu sorvete, o homem velho cansado de ouvir e a mulher que passeia exibindo as suas duas crianças.

No ato seguinte 'Rico e Pobre', sem dúvida, emociona com o simbolismo e a dura critica ao sistema social e  econômico, ao se apresentar como um pedante e asqueroso homem Rico. Mas traz, também, o mísero e suplicante homem Pobre. Ambos, ao se encontrarem, identificam o seu próprio eu e se percebem semelhantes.

Não é para menos que o ato seguinte foi ' Marionete', um indivíduo preso aos conceitos de uma sociedade que, ao se libertar dos fios que o manuseavam, teve de se descobrir e, sem forças para se manter livre, foi preso novamente. Assim, a tentativa frustrante de, ao menos libertar o coração, acabou lhe matando.

Já na esquete 'Toalete Matinal de uma Dama', Jomi trouxe com muita graça o lado feminino de como a mulher é na sua transformação, a feminilidade astuta do pré e pós da lagarta até chegar à borboleta.

A intervenção foi a palavra chave para o 'Ensaio'. Jomi que no momento vivia o Maestro, precisava de cinco músicos para começar o show. E para isso a platéia foi convocada a participar e a se transformar em atores. Cinco sortudos subiram ao palco para brincar com os instrumentos invisíveis. E o mais incrível é que a música, não cantada e nem tocada, foi linda.

Fechando com chave de ouro veio o 'Goleiro', o última segmento do espetáculo,  fez uma sátira do goleiro brigão e metido que, com sua altivez, termina levando um gol.

A plateia esteve presente em todo o espetáculo, atenta ao movimento e  sem desviar o olhar do palco.E ao exclamar os Ah, Oh, HAHAHA, não deixaram de se emocionar!

Brilhante! Eu diria um pouco mais...ESPLÊNDIDO!  

Conheçam mais deste brilhante ator e a pantomima http://www.pantomime-jomi.de/english/

 


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