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This is It, o show que virou filme Imprimir
Escrito por Caroline Marques   
Terça, 27 de Outubro de 2009 - 10:42

michael

Estreia nos cinemas brasileiros, nesta quarta-feira, dia 28, o filme 'This is It', um tributo ao astro-rei da música pop Michael Jackson. Com o mesmo nome do espetáculo que estava sendo preparado para uma série de 50 shows que ele faria em Londres, o filme promete cenas raras de bastidores e um restrospecto do período entre abril e junho de 2009, durante os ensaios do cantor.

Caroline Marques, aluna do 6º semestre de Jornalismo, escreve sobre o mito da música pop e da arte performática Michael Jackson, cuja carreira encerrou no dia 25 de junho, mas que deixa um legado musical capaz de mantê-lo vivo entre seus fãs. Confira!

 

Uma vida por trás das músicas

Caroline Marques

Passado o choque e a tristeza inicial de quem perdeu um dos gênios da música pop, revolucionário e inigualável, o mundo da música e do cinema começa agora a relembrar os fatos marcantes, as músicas, os seus últimos passos e a história de um dos personagens, se não for o único, o mais famoso, Michael Jackson. O nome traz um misto de dor e uma sensação de vazio para seus fãs que, desde o dia de sua morte, 25 de junho, lamentam a sua perda. O “rei do pop” não está mais entre nós, mas as suas músicas, a sua performace e a trajetória estão vivas e , isso é fato.

Engana-se quem pensa que somente os cidadãos à beira dos 50 anos que dançaram ao som dos LPs de Michael nos anos 70, 80 e 90 sofreram com a perda do astro. Jovens, adolescentes e até crianças que mal conhecem a história de Michael Jackson estão também no barco dessa angústia de querer, a cada minuto, saber notícias sobre a sua trágica morte.

Muitos dos jovens e crianças que hoje lamentam sua perda acostumaram-se a ouvir e a idolatrar as músicas e os passos mágicos de Jackson, através dos pais, tios e avós. Ele era mágico, ele era espetacular, ele era o Michael Jackson. Um talento astronômico, um carisma sem igual e um charme que deixava não só as mulheres, mas também os homens boquiabertos ao vê-lo dançar e deslizar no palco, despertando nas pessoas a sensação de estarem assistindo a um show de ilusionismo. Ele era encantador. O dia 25 de junho nunca mais vai ser o mesmo, será um dia lembrado a cada ano, a cada década e assim sucessivamente.

Embora o sentimento de pena seja um dos piores que se pode ter por uma pessoa, muitos dos fãs, que realmente conheciam a sua história de vida, passaram por esta sensação nestes últimos meses. Uma vida marcada por altos e baixos, assim foi a trajetória de Michael. Mesmo com bilhões de dólares em sua conta bancária e amado no mundo inteiro, o rei parecia não ser feliz. As surras que levava do pai enquanto criança, as brigas com os irmãos, as acusações de pedofilia, a obsessão pela infantilidade e pelo mundo dos brinquedos, as plásticas e os filhos gerados artificialmente. Este era o lado obscuro de Michael, o qual ninguém até hoje conseguiu entender corretamente.

Empenhado em corrigir a desigualdade humana, o rei sempre estimulou a ideia de proteger as crianças, promover a paz e a igualdade racial, embora alguns achem que ele era racista com a sua própria origem. Em todas suas músicas ele expressava suas vontades momentâneas, fossem elas a de dançar, amar, ajudar ou de se odiar. As traduções de suas músicas mostram como realmente foi a vida do astro de acordo com suas glórias e derrotas em cada década.

Em 1972, Michael ainda sentia a explosão da carreira solo. Foi quando lançou a música Ben, que revelava as ideias de uma criança cujo amigo era um rato com quem conversava secretamente sem que as pessoas soubessem. Don't Stop Til You Get Enough estourou nas baladas em 1979.

Todos queriam dançar aos passos do cantor e namorar ao som de sua música que dizia “me toque e eu me sinto pegando fogo. Não há nada como o desejo do amor. Eu estou derretendo como cera quente de vela”. No início dos anos 80, as músicas realmente revelaram que Michael seria um rei.

O lançamento do álbum Thriller, o mais vendido no mundo inteiro com mais de 100 milhões de cópias, revelava um cantor dançante, alegre, apaixonado e contra a discriminação racial. Essa, sem dúvida, foi a melhor fase de Michael Jackson. Bilie Jean, uma de suas mais dançantes canções, trazia a reprodução de um fato real quando uma mulher acusou-o de ser o pai de seu filho. Michael nunca negou o envolvimento com a moça, mas, convenceu as autoridades de que o filho realmente não era dele, tratava-se somente de uma fã apaixonada. “Ela veio e parou bem ao meu lado. Então o suave cheiro de perfume. Isso aconteceu logo que a conheci. Ela me chamou pro seu quarto. Billie Jean não é minha amante. É só uma ‘gata’ que diz que sou o único. Mas o filho não é meu”.

A música Thriller fala por si só, traz a letra de uma noite sombria onde uma menina é perseguida por criaturas malignas. As pessoas dançam até hoje a coreografia do videoclipe que possui 14 minutos. A década de 90 não deixou de ser o ápice do cantor. Em Will You be There e You Are Not Alone, Michael revela uma pessoa mais calma e apaixona, principalmente por Lisa Marie Presley, com quem foi casado por dois anos e protagonizou um sensual videoclipe. Nesta época, o astro também promoveu a paz e a igualdade social e racial. Heal The World traz um trecho que diz “Nós queremos fazer deste um lugar melhor para nossos filhos e para os filhos de nossos filhos”. They Don't Care About Us veio como um estouro, principalmente para os brasileiros, já que o videoclipe foi gravado no Brasil com a banda Olodum. A música traz a indignação de Michael com a violência e injustiça.

Muito brilho e glória nesta década. Mas a fama de Michael começou a dar lugar às acusações de abusos sexuais. A partir deste momento, o rei estremeceu. Conforme os sites de notícias americanos, sem conseguir acreditar nas acusações, o cantor ficou recluso em sua mansão em Neverland, sem contato com imprensa ou fãs. Ele recebia somente a família e os amigos mais próximos. Segundo fontes próximas ao cantor, esses fatos fizeram com que ele entrasse em uma profunda depressão. Michael já não conseguia mais fazer sucesso como antes e pensava que todos estavam deixando de amá-lo, pelo menos era isso que expressava em suas músicas, como na canção Morphine, composta no auge máximo de sua depressão. A música fala escancaradamente sobre o remédio Demerol, feito a base de morfina, que o cantor usava como analgésico e relaxante. A tradução é chocante e traz frases do tipo “Eles chegaram, chutaram sua cara, você odeia sua raça”, “Sempre querendo agradar o papai. Tome jeito e deixe o papai em paz”, “Todos odeiam você. Isso não vai te ferir. Antes que eu injete. Feche seus olhos e conte até dez. Morfina”.

Chega a doer só de imaginar que alguém tão espetacular como Michael chegou a tal ponto. Durante décadas, as músicas revelavam um cantor ilustre em cima do palco e depressivo por trás dele. Infelizmente, uma das vozes mais belas, suaves e sensuais se calou. Foi repentino, sabemos, mas o sucesso que ele fez ao longo dos anos deixou obras primas compactadas em forma de discos. Se ele namorou mulheres ou homens, se ele sentia-se uma criança ou ficava bem ao estar próximas delas, se realmente era infeliz, se é verídica a história de que ele tenha apanhado quando pequeno, ninguém sabe.

O que todos compreendem é que o astro foi uma estrela muito brilhante e misteriosa. Ele merecia, no mínimo, realizar a This is it, sua grande turnê de retorno, ou despedida. Mesmo não estando fisicamente entre nós, ele permanecerá para sempre na memória dos fãs e admiradores. Michael Jackson, não morreu. Pode parecer jargão, mas, quem morreu foi a pessoa, o nome viverá sempre entre nós e a cada vez que ele for pronunciado por nossos pais, filhos e netos, renascerá as lembranças de um artista carismático que criou músicas com ritmos dançantes e coreografias que jamais serão copiadas, poderão ser parecidas, mas nunca iguais. Todas essas lembranças do “rei do pop” que virão ao longo dos anos nos farão acreditar que a estrela que se chamava Michael Jackson não morreu e nunca morrerá, ela só mudou de lugar.

 


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