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Capa Memória Opinião Tim Lopes, uma lição de vida
Tim Lopes, uma lição de vida Imprimir
Escrito por Monica Brum   
Quinta, 20 de Maio de 2010 - 12:21

O jornalismo investigativo tem de ser visto e praticado de forma diferente. É preciso ter muito mais do que coragem. É fundamental acreditar em seus ideais, ter convicção e determinação, além de ser discreto e encarar, muitas vezes, um árduo trabalho sozinho. Segundo Percival Souza, em sua obra 'Narcoditadura: o caso Tim Lopes', é um  jornalismo "absolutamente solitário".

Para trabalhar com denuncias é necessário estar disposto a encarar os medos. Raramente divide-se com alguém os percalços encontrados no caminho da investigação. A busca pelas informações, a coleta de documentos, a procura de fontes, enfim, tudo deve ser feito com sigilo e discrição. Tim, por muitas vezes, teve sucesso em suas denúncias, porém, encontrou em seu caminho uma fonte que não era segura. E como ressalta Souza, "O jornalista investigativo administra quase sempre sozinho a sua própria situação".

O jornalista Tim Lopes deixou muitas lições, e ter cautela é uma das principais. Com talento e competência, fez história e não apenas investigou e denunciou casos com o intuito de levar alguém para a prisão ou destruir a sua vida. Fez isso porque tinha um compromisso como jornalista ao buscar a verdade. O jornalismo investigativo se sensibiliza com os problemas da sociedade. Infiltrar-se no meio de criminosos, correr riscos, perder horas de sono, dedicar-se, enfrentar o medo, tudo isso é feito por muito mais que uma simples matéria. Para o autor da obra sobre Tim Lopes, o jornalismo de investigação "é muito sensível, é coração batendo forte, é sangue nas veias. É vida real".

Geralmente, as reportagens investigativas mostram corrupção, drogas e ilegalidades que acabam tendo grande repercussão. Tim Lopes mostrou talento e competência. Apurou assuntos graves e delicados com muita habilidade, e isso temos que priorizar. Procurar fontes de categoria, ter cuidado, estratégia, domínio de cenário e ensaiar passo a passo, tudo isso faz parte do jornalismo investigativo. Para Percival Souza, "Muitas reportagens de investigação dependem fundamentalmente da capacidade de observar do repórter, das imagens incontestáveis, da narrativa sobre a qual ninguém pode sofismar".

É preciso ter coragem e apurar muito bem os fatos, além de analisar as fontes e só utilizá-las depois de ter muita confiança. Tim Lopes vai ficar na memória de quem coloca em prática o jornalismo investigativo.

O texto foi redigido na disciplina de Jornalismo Investigativo, ministrada pela professora Michele Limeira.

 


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