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Momento de transformação Imprimir
Escrito por Daniel Freire   
Quarta, 03 de Janeiro de 2007 - 15:30

daniel-natalCom o propósito de ajudar o próximo e, efetivamente, trabalhar para diminuir o abismo que separa classes sociais, um grupo de voluntários - todos funcionários da Rede Metodista de Educação do Sul - realizou a distribuição de panetones, entre os moradores de rua, no centro da capital, na singela noite de Natal.

Vale destacar que essa atividade teve como intuito principal não, necessariamente, o alimentar do corpo, mas, fundamentalmente, da alma dessas pessoas esquecidas, julgadas e condenadas pela sociedade. Pelo simples fato da concessão de um aperto de mão, de um abraço, de um olhar não reprovador, mas compreendido de carinho e de uma palavra de conforto e de esperança, pôde-se perceber o quão pouco esses irmãos precisam para se sentir feliz.

As palavras de Gonzaguinha estabeleceram a relação com o que realmente é necessário para todo e qualquer ser humano: "a gente quer carinho e atenção, a gente quer calor no coração". O problema da fome existe, é claro. Mas, aqui em nosso País, não vou me estender ao mundo, às vezes, o que mais maltrata e agoniza é o esquecimento, a segregação e o abandono.

O que foi presenciado e sentido pelo grupo de voluntários supera qualquer descrição teórica. É forte e inebriante... Impressionante a gratidão e o prazer demonstrados pelos sobreviventes dessa triste realidade, pela ação de solidariedade que os atingiu. Quando pensávamos que a palavra de Deus - num sentido mais amplo, sem nenhum fundo religioso - pudesse trazer rejeições e resistências, pelas contingências da dura realidade, ela foi satisfatoriamente aceita. A fé no criador foi manifestada. Cheguei a me emocionar com os relatos - todos carregados de desgraças, mas tendo um fundo salutar de fé e esperança.

Como saí melhor daquela experiência! Na verdade, parece que recebemos mais do que doamos. É impressionante como essa lógica, incompreendida por muitos, torna-se concreta e sedimentada, quando se faz algo com o coração aberto, sem segundas intenções, tendo o único objetivo de compartilhar amor entre os homens. Quero frisar que esse ato de solidariedade não nos torna pessoas "iluminadas", alguma coisa tipo, melhores, que as demais pessoas. Apenas estamos realizando o que cada um pode e deve fazer pelo semelhante. Não precisa fazer muito, basta apenas descruzar os braços e evitar julgamentos "morais" que sempre nos colocam como corretos, perfeitos e sentenciam o inverso para os nossos irmãos postos à margem da sociedade.

Agradeço pela participação, pelas doações e, principalmente, a Deus por ter me tirado da inércia... E pela oportunidade de ter me sentido, na pura acepção da palavra, realmente humano. Tenho esperança e acalento o sonho de, a cada novo evento, ter mais pessoas unidas à causa e, dessa forma, estender a ação e acolher mais e mais desassistidos.
Já durante as festividades de final de ano, me recolhi num momento de introspecção. E agradeci! Não pedi nada, particularmente. Vou passar por este ano, fazendo mais e pedindo menos. Horas antes do grand finale de 2006, acompanhei o último evento esportivo do ano: a corrida de São Silvestre. E deliciei-me com as "dobradinhas" brasileiras no feminino e no masculino. Que maravilha! Terminar o ano vendo brasileiros humildes vencendo no esporte e na vida é algo bastante significativo. Ouvir o hino nacional, na premiação desses atletas, me emocionou. Sempre me emociono diante do hino nacional emoldurando ocasiões de consagração de brasileiros lutadores, íntegros e corretos. Me emociono facilmente, é verdade.

Continuar pensando e trabalhando, em 2007, para um mundo melhor. Essa é uma resolução! Definitivamente, a chama continuará acesa. Penso num mundo melhor a partir das ações de ajuda mútua. O senso de responsabilidade social precisa ser despertado urgente em cada ser humano. Os problemas de um país pertencem a cada cidadão, e não adianta ficar de braços cruzados, esperando o inoperante Poder Público atuar.

Um novo ano nos recebe e transformações fazem-se necessárias. Progredir é a lei universal. Para tal, estamos aqui, nesse azulado espaço do universo. E, quando se pensa em progresso, devemos deixar de lado a falsa relação que se estabelece na compreensão de que ele está diretamente ligado à ostentação material e monetária. Progredir espiritualmente, isso sim, faz toda diferença. Não dá para continuar na inércia, esperando que Deus efetue a transformação por si só. Somos agentes do criador e precisamos trabalhar para a obtenção de um mundo melhor. Depende de cada um de nós e basta pouco para conseguirmos caminhar avante.

Agradeça por tudo que te acontece, extraia lições. Peça ao criador somente saúde, paz e capacidade de enxergar o mundo em sua toda sua essência. Tenha como sentimentos básicos o amor, a fraternidade e a solidariedade. E, a cada dia, tente (re)instaurar a harmonia nas relações humanas. Acredite que é possível acabar com as injustiças sociais e faça pelo próximo, que, certamente, todo o universo te impulsionará para dias mais felizes. Sem fé, não somos nada

 


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