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Ordem e progresso? Imprimir
Escrito por Daniel Freire   
Sexta, 03 de Novembro de 2006 - 18:45

daniel-ordemAs Instituições formadoras da tríade do poder de nosso País estão falidas. O Executivo, Legislativo e Judiciário comportam-se de forma vergonhosa e censurável. Os problemas nevrálgicos e os escândalos, a cada dia mais intensos, saltam aos nossos olhos e ouvidos e o gosto amargo da imoralidade cisma em nos acompanhar. Reformas urgentes são necessárias. 

Fico a me perguntar se os últimos acontecimentos em nossa política, irão despertar a população dessa letargia que toma conta de todos. É preciso se indignar, para poder surgir o desejo de mudança e melhora, temos que sair desse lamaçal de hipocrisia. Chega de achar que as coisas não estão tão ruins, chega de protelar, de viver nesse infindável faz de conta absurdo e insolente. E a mudança começa por nós, somos o instrumento competente para o início da reforma, não adianta ficar esperando pelo poder público, sempre omisso e desinteressado pelo social.

Desde 2005, pra não ir muito longe, estamos sendo assolados por uma avalanche de episódios escandalosos no cenário político. Se existe uma coisa boa nisso tudo, é justamente o fato de estarem sendo revelados, de já não ficarem ocultas as podridões e absurdidades praticadas por nossos políticos. E é nessa questão que surge o papel relevante do jornalismo, que tem por natureza o dever de investigar, de esmiuçar a atmosfera dos fatos, revelando, imparcialmente, os acontecimentos do dia a dia. O jornalismo tem cumprido o seu papel e, mesmo existindo os péssimos profissionais que presos à cobiça de cargos importantes submetem-se a tudo, percebe-se o seu crédito junto ao povo.

O que me entristece, porém, é saber que não existe um aprofundamento nas investigações. O poder Institucional que deveria punir, é extremamente protecionista e temos que conviver com a retórica falsa e desmoralizadora que já está arraigada na verve de nossos políticos. Nos acostumamos, ao longo do tempo, com o discurso justificador de que sempre foi assim, e essa paralisia social toma proporções grandiosas.

No nosso Executivo, o Lulinha "paz e amor", o filho do sertão, o símbolo da transformação, o operário padrão fundador do PT, viu o seu partido e, conseqüentemente, seu governo enterrado em negociatas nada límpidas. Será que o grande pastor nunca soube da presença de 'ovelhas negras' em seu rebanho e a imprensa tenha que ser considerada a grande "culpada" por mexer onde não devia? São repugnantes e sórdidas as picaretagens das 'ovelhas' Dirceu, Genoíno, Palloci, Delúbio, Silvinho Pereira.

E saber que o Valerioduto (orquestrado pelo "digníssimo" Sr. Marcos Valério) já havia até estipulado o valor a ser subtraído do governo federal, com a convivência dos já citados, que seria 1(um) bilhão de reais. As campanhas eleitorais são todas financiadas com dinheiro sujo, de origem ilegal, o tráfico de influência caminha por todos os lados, transformando a realidade de nossos dias em um famigerado comércio de votos e apoio político.

No Legislativo, o assunto da operação "Sanguessuga" toma conta dos noticiários. Esse esquema de desvio do orçamento público, por meio da venda de ambulâncias superfaturadas, retrata bem o caráter de grande parte dos membros do Congresso Nacional. Isto não pode ser esquecido:171 Deputados Federais, quase 1/3 do Congresso, estão, até que provem o contrário, envolvidos nesse episódio.

Mas não adianta reclamar agora. Li em um jornal, que 80% dos eleitores não se lembram em quem votou nas últimas eleições para Deputado Federal. Formar a responsabilidade política, a consciência coletiva desde cedo, ainda no ensino básico e talvez a não obrigatoriedade do voto, como acontece nos países desenvolvidos, pudessem contribuir para a qualificação do nosso quadro político.

O Judiciário atua com parcimônia unilateral, fazendo a balança, o seu símbolo, pender para o lado dos influentes e donos do poder. Sempre na concepção Rico x Pobre existem dois pesos e duas medidas. A lei é muito benevolente com aqueles poderosos da sociedade e rígida demais com desassistidos. Não consigo aceitar a possibilidade de num conselho de ética, numa CPI, o investigado poder ficar calado, mentir descaradamente diante dos deputados,agir com deboche, e isso ser tido como normal. Como se chegará um esclarecimento? A lei e a justiça precisam ser repensadas. Chegamos em um tempo em que até sentenças já são vendidas, isso é muito, muito, sério.

Perdoem-me os bons profissionais dessas áreas. Sim, porque eles existem. Atingidos, injustamente, pelas duras críticas têm que carregar o fardo pesado das ações sórdidas praticadas pelos inescrupulosos profissinais.

As denúncias de escândalos na esfera política nos visitam todos os dias, mas só isso não basta. Tem que se investigar e punir os culpados, doa a quem doer. Isto é urgente.

Como um ser extremamente esperançoso, acredito nas transformações e conclamo aos jornalistas, inclusive os estudantes de jornalismo, que carreguem a noção de ética e que sejam atuantes,compromissados com a verdade o tempo todo, derrubando,assim, por intermédio das denúncias, responsáveis e sensatas, as muralhas de hipocrisia que bloqueiam o caminhar para a conquista do pensamento positivista de nossa bandeira: "Ordem e Progresso".

 


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