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Cai chuva na milenar Istambul Imprimir
Escrito por Asaph Borba   
Quinta, 10 de Junho de 2010 - 18:41

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Na manhã de oito de junho de 2010, a chuva cai sobre Istambul, uma antiga metrópole, fundada em 667aC, com mais de 12 milhões de habitantes e classificada como a quinta maior cidade do mundo. Na minha frente vejo a garbosa e milenar catedral transformada em mesquita, Santa Sofia, construída no ano 700 da era cristã. E mais adiante, avisto as torres e minaretes da Mesquita Azul, uma obra magnífica que tira o fôlego à primeira vista. À minha esquerda, mesmo com a visão embaçada pela chuva, vejo o Bósforo, um canal estreito que divide a cidade, o país e os continentes, Europa e Ásia, e que corre tranqüilo entre os mares Negro e Mediterrâneo.

No morro, de onde escrevo, é a parte mais antiga da cidade, local onde durante o dia transitam pelas ruas, de forma ininterrupta, milhares de turistas de todas as partes do mundo, consumindo suvenires, tapetes, especiarias exóticas, comida típica e, principalmente, cultura, não uma cultura qualquer, mas resultante de milênios de história de guerra e paz, destruição e prosperidade. Cultura esta que, no decorrer dos séculos, negou-se a morrer e desaparecer como tantas outras.

Mas, o que mais me impressiona em Istambul é a sua história. Neste mesmo morro estou instalado, junto ao Canal de Bósforo, passaram mais de 10 diferentes impérios, e a cidade já mudou de nome muitas vezes, e os que mais conhecemos são Bizâncio e Constantinopla. Foi aqui que o Império Romano partiu-se ao meio, que a Igreja Católica dividiu-se a ponto de, por muito tempo, existirem dois Papas, um em Roma e outro aqui, em Bizâncio, que gerou o Império Bizantino. Foi aqui também que a Idade Média acabou, quando a cidade caiu nas mãos dos muçulmanos, dando origem ao longo império Otomano, que extirpou quase por inteiro a influência cristã na região,onde estavam as primeiras Igrejas, e de onde o Cristianismo espalhou-se pelo mundo. Das sete igrejas citadas nas cartas do Apocalipse, cinco estão aqui em volta na Turquia, e por um período todas estiveram sobre a influência e domínio Otomano.

O objeto deste texto que escrevo não é dar a minha impressão sobre a grandiosidade arquitetônica da cidade, nem sobre sua história, mas, sim sobre a Igreja. Não, a igreja que no decorrer da história pode mudar de nome ou de religião, mas a verdadeira Igreja, aquela que o Senhor Jesus disse, "estou edificando , ... e as portas do inferno não podem subsistir contra ela". Na minha frente jaz uma das mais imponentes "Igrejas" construída pelo homem, e que no decorrer do tempo, deixou de ser "Igreja" para ser Mesquita, e hoje é um grande museu, que narra a história de um passado que perdeu a vida.

No local onde me encontro, acampavam-se em volta da cidade, construída ao redor da Igreja, os devotos cruzados, que ram cristãos e aos bandos vinham da Europa, convocados pelos papas de Roma e de Constantinopla para ajudar na reconquista de Jerusalém, já conquistada pelos árabes, assim como Damasco e as demais cidades da região. E foi aqui que a Igreja perdeu seu foco de ser igreja, para ser exército, ao deixar de proclamar o amor a Deus e aos homens, e ao mator em nome da fé. Foi aqui onde o primeiro banho de sangue inocente, de milhares de pessoas, jorrou em nome da fé evangélica dando origem ao ódio que subsiste até hoje. Mas antes das cruzadas, foi aqui, que a idolatria se multiplicou, pois quando os papas foram perdendo a fé verdadeira em Deus e em Cristo, passaram a necessitar de santos, imagens e construções para agregar valor à sua devoção perdida.

Foi também, em Constantinopla, onde os rituais se firmaram ao credo para alcançar a Deus, com a exigência de pagamento. Foi aqui que a graça deixou de ter valor para a salvação, onde o ser era apenas uma conseqüência do que se fazia para Deus, não importando a vida e o coração.

A Igreja cristã hoje é pequena, e detém um dos menores índices dos países muçulmanos. Vale ressaltar que turcos, assim como os iranianos, não são árabes, mas são muçulmanos. O número de cristãos incluindo ortodoxos, as minorias evangélicas e cópticas, não passam de 15 mil, em todo o país que possui quase 80 milhões de pessoas. Em Istambul, onde está o maior número, são aproximadamente 25 pequenos grupos com cerca de 100 pessoas cada. A maioria está escondida, pois o controle e a perseguição a qualquer esforço cristão é há séculos inibido, e a subsistência da Igreja é absolutamente um fruto da Graça e misericórdia de Deus. De todos os lugares por onde tenho passado parece que aqui é onde as portas do inferno estão mais próximas. Muitos pastores têm sido jurados de morte e vivem debaixo da proteção policial. O governo faz vistas grossas. Legalmente a Igreja é livre, mas de fato e de verdade é perseguida e constantemente humilhada.

Porém, as histórias de morte e destruição, como já mencionei, por aqui são antigas, e, por muito tempo, quem perseguiu e matou foram os chamados cristãos. Desde a queda de Constantinopla, em 1453, a perseguição virou de lado: são os muçulmanos que matam, queimam e destroem tudo aquilo que cheira a cristianismo.

Há lugares que parecem estar esquecidos pela Igreja do mundo, e este aqui é um deles. Existem menos de 10 discos de música cristã na língua Turca, e eu não ouvi nenhum, pois quase todos estão esgotados. Aqui também os livros cristãos em Turco são pouquíssimos, e eu nunca os vi tampouco. O investimento missionário é 10 vezes menor do que em qualquer outra grande nação como, Egito, Índia e China.

Por isso, creio que a Igreja no Brasil, muito pode fazer por esta terra. A primeira é lembrar, a segunda é orar e a terceira é cada um de nós estar atento para o mover missionário nessa direção.

Há 13 anos Deus me trouxe para Amman na Jordânia. E hoje já estamos trabalhando em quase todo o Oriente Médio. Ao chegar à Turquia, encontrei os meus primeiros irmãos de igreja. Coincidentemente, há um mês, pela primeira vez, um presidente do Brasil, esteve aqui e as portas diplomáticas e culturais se abriram entre os dois países. Há um mês atrás era necessário visto para brasileiros entrarem, e quando cheguei já não havia mais necessidade. Será que a mão de Deus está por trás disso ou é só coincidência?

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