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Capa Memória Opinião Um capítulo da inclusão escolar
Um capítulo da inclusão escolar Imprimir
Escrito por Eduardo Purper   
Quinta, 29 de Julho de 2010 - 17:42

duduNo primeiro semestre desse ano fomos convidados, eu, cadeirante, o Hélio, deficiente visual, e o Cacau, deficiente auditivo, para irmos a Vacaria e participar do 2º curso de Formação de Gestores e Educadores, uma promoção da Secretaria de Educação do município.

Durante o trajeto, houve uma troca de experiências ocorrida tão intensamente que nos deixou curiosos com o que poderia acontecer à tarde no evento. Ao chegar ao local, tivemos uma recepção calorosa dos organizadores do seminário. Isto é típico das cidades do interior. Fomos levados ao almoço, no qual a troca de experiências prosseguiu. Cada um de nós passou a contar com um acompanhante, com a finalidade de nos auxiliar antes, durante e após o relato de nossas experiências ao público presente, em sua maioria mulheres, para deleite do Hélio.

O que temos a lamentar é que durante o evento, para relaxamento dos participantes, houve uma apresentação da dança do ventre. Mas, como eu e o Cacau estávamos em outro local nos preparando, só quem assistiu foi o 'sortudo' do Hélio, para variar.

Chegando a hora da nossa participação, Cacau foi o primeiro a subir ao palco. O dançarino foi relatando, uma a uma, suas experiências de vida. O que mais me chamou a atenção foi quando ele disse que só aprendera língua de sinais aos 24 anos de idade, e que, graças ao sistema LIBRAS, ele se sentiu realmente incluído. O momento mais interessante e descontraído de sua palestra foi quando comparou os estilos de dança de uma mulher, de um homem e de um homossexual, ao fazer alusão, no seu entendimento, ao preconceito que sofre o dançarino heterossexual, considerado pela maioria das pessoas como gay.

A apresentação seguinte foi a do Hélio, que se dividiu em dois segmentos. No primeiro ele contou como era sua vida antes de adquirir sua deficiência. Para ele, a vida passou a existir depois de sua cegueira, é sua a frase: "Eu estava cego quando enxergava, hoje, sem a visão, enxergo a vida melhor". Antes, festas, pouco interesse pelo estudo, bebedeira, etc. E hoje, sou pai, tenho profissão, sou massoterapeuta e judoca de competição.

A parte da conferência que mais chamou minha atenção foi quando Hélio resolveu fazer uma dinâmica de grupo e perguntou: - "quem nunca teve contato com uma pessoa deficiente? "Eis que, do fundo da platéia, surge uma ouvinte que diz, aos prantos: "Eu achava que os deficientes eram incapazes de fazer muitas coisas, hoje vendo vocês aqui, mudei meu conceito ". Ela se aproximou no trio e nos abraçou!

O encerramento desta parte do evento ficou por minha conta. Fiz um relato da minha experiência escolar, na escola regular e no curso de Jornalismo, e apresentei alguns vídeos de entrevistas concedidas à imprensa em geral.

Como relato final, falei às professoras que "o importante é a vontade de ensinar".

 


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