banner multi
Capa Memória Opinião Dignidade para ver Porto Alegre
Dignidade para ver Porto Alegre Imprimir
Escrito por Rafaela Haygertt   
Terça, 14 de Setembro de 2010 - 13:47

acessibilidadeCaminhar em uma metrópole às vezes não é nada fácil. Requer paciência e uma boa dose de habilidade para lidar com os buracos, lombas e até com a falta de respeito dos motoristas e dos pedestres. Muito mais difícil ainda, é andar pela cidade sendo cadeirante.

Porto Alegre criou há cinco anos a Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social, a Seacis, que tem a enorme tarefa de fazer com que fique mais fácil andar na capital, e, acima de tudo, que o cidadão respeite as pessoas com dificuldades para se locomover.

Segundo o arquiteto João Toledo, coordenador executivo da Seasis, com o plano diretor de acessibilidade as coisas podem melhorar. "Quando você tem um plano diretor já é o inicio de alguma mudança. Teremos mais edificações com acesso, haverá uma inclusão", Acredita. Mas ele adverte. "Não podemos exigir somente da prefeitura".

Ainda há muito a ser feito. Que o digam Daiane Bochi e Eduardo Purper. Os dois são paraplégicos e lidam todos os dias com a complicada rotina de se locomover pela cidade. A estudante de jornalismo Daiane Bochi não caminha desde que nasceu, por conta da hidrocefalia, doença que causa acúmulo de líquido no interior da cavidade craniana e de uma outra doença chamada mielomeningocele, caracterizada por uma malformação congênita da coluna vertebral.

A cadeirante conta que já não anda mais de ônibus. "Os funcionários dos ônibus, como motoristas e cobradores não estão preparados para lidar com pessoas com necessidades especiais", denuncia. Entretanto, conforme o engenheiro da Empresa Pública de Transportes e Circulação, EPTC, de Porto Alegre, Flávio Tumelero, existem cerca de 497 veículos de transporte coletivo adaptados em Porto Alegre, o correspondente a 30% da frota de ônibus.

A responsável por capacitar os funcionários dos veículos a lidar com os PNEs, seria a EPTC. No entanto, Tumelero assegura que a responsabilidade é das empresas de transporte, como a Carris.

Outro problema são os taxis. Daiane afirma que eles geralmente se recusam a transportar cadeirantes ou simplesmente cobram mais por ter que pegá-los no colo. "Certa vez fiquei esperando um táxi por horas. Me liberei as 11 horas da manhã da faculdade e só consegui pegar táxi as 4 da tarde", conta.

Já o jornalista Eduardo Purper, vitima de uma paralisia cerebral, afirma que as condições para cadeirantes estão evoluíndo. "Não pego ônibus, mas acho que as coisas estão melhorando principalmente no Centro de Porto Alegre", avalia. No entanto, o comunicador reclama que, assim como as outras minorias, os cadeirantes só são vistos e lembrados em dias especiais. "Ainda falta um pouco de respeito coma gente", reflete.

Eduardo e Daiane acreditam que a mudança deve partir dos próprios cadeirantes. Ambos concordam que os PNEs devem lutar mais por seus direitos. Para Eduardo, tudo é questão de conscientização. "Se os cadeirantes pegaram mais ônibus, quem sabe o transporte não melhore?", sugere o jornalista.

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA