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Rio em guerra! Imprimir
Escrito por Asaph Borba   
Sexta, 26 de Novembro de 2010 - 17:34

rio-guerraLogo que saí do Aeroporto do Galeão, avistei uma fumaça preta atrás da Igreja da Penha, um dos cartões postais cariocas. O meu amigo e motorista foi logo dizendo: é ali que está acontecendo a guerra.

A fumaça foi só o indicativo de que por trás há fogo, ou melhor, uma verdadeira batalha que o governador reeleito Sérgio Cabral, trava com o trafico local. Entre as atitudes está a transferência de criminosos presos para penitenciárias de outros estados, dos supostos comandantes da anarquia que tomou conta do Rio nos últimos dias, que eram comandadas por trás das grades da Penitenciária de Alta Segurança Bangu II.

Mas, a guerra vai além disso. Ontem os fuzileiros navais da Marinha, vieram lentamente pela Avenida Brasil com seus tanques de assalto, seguidos de perto pelos "caverões" cheios de soldados do BOPE, além de centenas de policiais Civis e militares, e começaram a subir pela favela Cruzeiro do Sul, um dos mais conhecidos e temidos redutos de traficantes da região, que faz parte do Complexo do Alemão.

O clima de guerra instala-se rapidamente. Gente correndo para todos os lados, em meio à lama decorrente da chuva que caiu na tarde. Enquanto isso os traficantes recebem o comboio militar com tiros que podem ser ouvidos a distância.

O centro da populosa Vila da Penha está fechado. Milhares de crianças estão sem escola e os comerciantes inertes baixaram as grades e interromperam seus negócios. Com a operação, o morro foi tomado até o início da noite e deixou um saldo de 29 feridos e um número ainda não divulgado de mortos. Pelos helicópteros das redes de TV pode-se ver, no final da tarde, os criminosos em fila indiana fugindo pelas estradas vizinhas da favela e entrando nas florestas, enquanto isso, em diversos locais da cidade, ônibus e veículos são incendiados para inibir a população e causar o caos, em atitude covarde contra a população inocente.

Cheguei perto, pois o evento para onde me dirigia era no bairro vizinho. As pessoas não conseguiram chegar, pois os ônibus pararam de circular em toda aquela região da cidade, e à noite, o Rio não parecia o mesmo. As linhas Vermelha e Amarela que são movimentadas a qualquer hora estavam absolutamente vazias e a população sempre ativa em bares e restaurantes da agitada vida noturna carioca, desapareceu. A maioria das faculdades cancelou as aulas, pois o transporte público parou à noite, e assim, o Rio dormiu.

Pela manhã fui cedo para o aeroporto, e de longe ainda vi pontos isolados de fumaça preta, fruto de mais incêndios criminosos que a mídia não para de mostrar, e o dia, para contrastar com o caos, amanheceu azul. Vi ao fundo o Cristo Redentor com os braços abertos sobre a cidade, a cada dia menos maravilhosa, fruto do descaso dos muitos governos anteriores que foram deixando as políticas públicas e sociais de lado, fazendo com que o crescimento da marginalidade fosse exponencial.

Mas há quem diga, que o Rio de Janeiro, apesar de tudo continua lindo.

Vamos orar pelo RIO!

Do Rio de Janeiro

Asaph Borba

 


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