Quem tem medo da verdade? Imprimir
Escrito por Rafaela Haygertt   
Segunda, 07 de Fevereiro de 2011 - 12:09

apagando-a-memoriaO início de um novo governo é sempre motivo de esperança, mesmo até para quem já perdeu esse sentimento com relação a política há muito tempo. Uma das grandes promessas para o governo Dilma é a criação, mesmo que tardia, da Comissão da Verdade.

Este projeto faz parte do Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH3.O programa é polêmico, principalmente ao prever um maior controle da mídia. No entanto, ele também prevê algo que a sociedade brasileira, pelo menos uma boa parte dela, clama há muito tempo, a investigação sobre um período de 20 anos que teimamos em varrer para debaixo do tapete.

Eu já ouvi muita gente afirmar que gostaria que os anos de chumbo voltassem. Para mim isso é a prova cabal de que o ensino de história nesse país é deficitário. Caramba! Como alguém, em sã consciência, gostaria que a ditadura voltasse?

Bom, é claro que naquela época não havia a Luciana Jimenez na televisão, a economia estava indo de vento em popa e não havia tanta marginalização. Er... se vocês concordam com esses argumentos é porque se esqueceram da inflação e dos inúmeros planos econômicos que vieram depois, resultado desse período. E se você acha que não havia baixaria naquela época é por que seu avô não frequentava a casa dos generais.

Saber sobre aquele período pode nos ajudar a entender como a sociedade brasileira chegou onde chegou. A Argentina e a grande maioria dos países latinos já abriram seus documentos e até hoje pesquisam e procuram respostas para aqueles anos de politica mal feita. Sinceramente não se teve notícia de vingadores, por que seria diferente conosco?

Temer a verdade, em minha humilde opinião, é algo extremamente prejudicial a saúde mental de uma pessoa, quanto mais de uma nação. Realmente tenho esperança, uma das raras ocasiões que isso acontece (sou muito pessimista), de que a nova Secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, dê um grande passo para a abertura desses arquivos e, consequentemente, para a melhoria do ensino de história no Brasil.

 


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