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É bom ou ruim mudar? Imprimir
Escrito por Eduardo Puper   
Quinta, 31 de Março de 2011 - 17:46

dudu-purperComeçarei a descobrir a resposta para este pergunta por volta do dia 5 de junho deste ano. O leitor pode pensar: "estamos em março, junho ainda está longe!" Talvez na quantidade de meses, sim, mas no meu pensamento, não.

Desde que a nossa casa foi vendida, há aproximadamente um ano, tenho tido várias sensações diferentes sobre este tema. A primeira delas foi aquele 'choque'. Lembro de ter dito a minha mãe, ou para quem quisesse ouvir, aos berros, que ela ao tomar aquela atitude havia destruído a minha vida. Trágico, não? Mas se eu não tivesse feito aquilo, sinto que não estaria sendo honesto comigo mesmo àquela altura, pois era muito real dentro do meu peito a sensação de que em alguns dias eu havia perdido tudo que conquistei em 20 anos. Algo como perder o respeito das pessoas, amizades, amores, trabalho.

Mas, o que não tem remédio, remediado está! Depois de alguns meses de deprê, voltei a ser o velho Eduardo de guerra! Principalmente depois de um telefonema que meu amigo Ricardo Purper, que vem a ser também meu pai, realizou para a Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Curitiba (Apapd).

Estava eu em uma das minhas rotineiras sessões de fisioterapia quando meu pai entra rapidamente proferindo a seguinte frase: "olha, acho que arranjei um emprego para ti em Curitiba!", e ele ria. Disse isso e saiu!

Fiquei durante aquela uma hora, como você pode imaginar, sem conseguir me concentrar no resto da sessão, só imaginando o que o meu pai havia aprontado.

Na saída, entramos no carro e eu logo o interroguei sobre o que ele havia feito. Inicialmente ele me acalmou, e depois disse que apenas havia feito contato com a Mariana da Costa Dolny, assistente social, da Apabb de Curitiba. Contou que ela disse que tinha alguns convênios com algumas universidades daquele estado e que havia boas perspectivas de trabalho lá para mim.

Solicitei o telefone da Mariana ao meu pai, e ele em um primeiro momento não quis me dar, sei lá porque cargas d´água. Eu, como sou esperto, ainda bem, pedi ao meu amigo da Apabb, aqui de Porto Alegre, Fábio Azevedo, que me dissesse o tal número, da pessoa que mais tarde, pelos frequentes contatos, eu chamaria simplesmente de Mari. Ela gostou da minha iniciativa ao querer entrar em contato na busca de trabalho. Disse que isso tinha sido muito importante, porque havia mudado a sua visão a meu respeito, e que havia deixado de me ver como filho de alguém para me ver como o jornalista Eduardo Purper. Meu pai diz até hoje, seis meses depois do primeiro contato, e eu concordo totalmente com ele, que se ele não tivesse tido o estalo de ligar, talvez estaríamos até hoje, às portas da mudança, sem perspectiva alguma.

Hoje tenho certeza absoluta, portanto parei de xingar a mãe um pouco, que estarei muito bem em Curitiba. E quem sabe, além de um trabalho, a Mari não pode me conseguir uma namorada também? E aí, Mari, vamos nos mexer, afinal de contas você é a assistente social, e deve conhecer alguma guria que tenha o meu perfil! Não se esqueça que me mudo em junho, por favor, se apresse, comece a preparar a lista das candidatas, ok?

Outra pessoa que me acolhe e escuta as minhas angústias, é a minha amiga e quase irmã Rafaela, a Rafinha. Ela já se mudou seis vezes; morou em São Paulo, no Alegrete, em Bento Gonçalves e em outros lugares que eu nem conheço. E vejam, ela sobreviveu! Por que eu não posso sobreviver a minha primeira mudança?

A Rafinha é expert no assunto, e conta que nos primeiros meses eu vou sofrer, mas que, logo em seguida, vou sobreviver e curtir muito. Ela até me diz que eu vou esquecê-la rapidinho, e que vou achar outras rafaelas. Talvez ela até tenha razão, mas outra como tu, não, baixinha!

Então, é bom ou ruim mudar? Digamos que depois de tudo que contei acima fico em um meio termo. Em alguns aspectos, é bom mudar, dar uma oxigenada, aquela famosa mudada de ares. Mas em outros, dá um medinho, um certo nervosismo de não saber como as pessoas vão te receber. Mas acho que elas vão me receber da mesma maneira que eu me apresentar, como o doido ensandecido que eu sempre fui.

Mais do que a mudança de cidade, o principal foi o que esta certeza causou internamente em mim. Há um ano a minha reação foi de um garoto mimado que achava ter perdido tudo. Engano, Dudu! Tu ainda vais ganhar muita coisa! Uma casa nova e novos amores. E, com certeza, o amor da minha vida deve estar por lá.

 


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