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Capa Memória Opinião O novo Hitler?
O novo Hitler? Imprimir
Escrito por Emmanuel Denaui   
Quinta, 07 de Abril de 2011 - 13:51

bolsonaroA polêmica gerada pelas declarações do deputado federal, Jair Bolsonaro (PP-RJ) me fizeram vir ao editor de textos colocar algumas reflexões. A maioria das pessoas com quem conversei 'apedrejou' de forma incondicional este representante do povo. E a justificativa está no racismo e no pré-conceito imbuídos em suas palavras. - Muito bem, que assim seja! Somos todos conscientes e cidadãos de bem! (- Ah, e como estou rindo!).

Pois o que se espera de um representante popular? Obviamente, muitos negros e homossexuais devem e podem ter votado nele. Mas onde está o problema de fato? Gostar ou não de negros ou de homossexuais é realmente um problema? A liberdade de se expressar livremente e dizer o que se pensa ou sente, não seria um direito? Por que se perde esse direito ao se representar uma grande parte da nação?

O que não se avalia aqui, ao criticar e condenar, é a linha de pensamento de cada pessoa. Costumamos esquecer de onde a pessoa vem, do meio em que vive, em que ela acredita... Quem de nós já não criticou o mau-hálito de alguém, mesmo sem saber que a pessoa está extremamente doente? Quem não julgou a roupa transada e escandalosa de uma guria hippie-chic, só pelo fato de ela ser diferente das normais? E o sotaque de um interiorano? A comida favorita de uma pessoa que, pra nós é um absurdo ser comestível.... e por aí vai.... Ficaria parágrafos citando situações, das mais simples às mais graves, pelas quais passamos todos os dias, e que, de certa forma, são manifestações preconceituosas.

Alguns (ou muitos) nem sabem, mas político Bolsonaro é militar (ou preciso traduzir o fato dele sentir saudades dos presidentes Médici, Geisel e Figueiredo?), tem premissas e pensamentos fechados e sem muitas variáveis. E mais, ele as defende, explicitamente, totalmente despreendido e sem vergonha disso. Quando ele diz não aceitar ser operado por um médico ou viajar em um avião pilotado por um cotista, não me dá a entender que seja por um negro, um índio, enfim, ou por qualquer raça/credo que seja. Mas sim, que no Brasil as cotas ainda não garantem que o pretenso estudante seja um ótimo profissional. Aliás, esta é uma faca de dois gumes, pois nem mesmo aquele estudante que prestou o vestibular, tirou uma média considerável para estar na universidade, seja tão melhor quanto o que passou através das cotas.

Não estou justificando a classificação e a forma dele criticar atitudes, opções e contextos sociais, mas ninguém é mais ou menos qualificado do que ele próprio para se auto julgar. Se ele é contra desfiles gays, então todos católicos praticantes do Brasil deveriam ser execrados, pois também são contra, ou pelo menos, deveriam ser, se fossem praticantes fiéis da sua religião. O pensamento de Jair é tão previsível e curto que chega a ser frágil, pois é velho. Como em seu comentário sobre a questão do seu filho não correr risco de ter relações homossexuais por ter sido um pai presente e o mesmo ter tido boa criação. Isso tudo nada mais é do que uma ilusão quanto a sua família e seus agregados, que vivem numa bolha, isolados, de tudo e de todos. Um planetinha 'bolsonarense'. Planeta esse de um homem à favor de critérios militaristas, de condutas rídigas, sarcástico e que defende a chamada 'integridade da família', da qual diz não apenas acreditar, mas dela fazer parte.

O deputado pagará sim por suas declarações, pois no país democrático tudo o que vem de forma pública e polêmica sofre punição. - Aham, sei! - Mas afinal, fica a questão: não se pode ou não se deve externar os próprios pensamentos quando se é pessoa pública? As ditas 'minorias' realmente transformam um pontinho em uma super bola? Realmente é necessário se preocupar com pensamentos ultrapassados, mas passíveis de influenciar outras mentes?

Engraçado mesmo, é ver as mesmas mentes esclarecidas não comentarem a matéria encartada em um conhecido jornal da capital gaúcha, relacionando a homossexualidade como causa de atos de vandalismo e perturbação pública. A ironia não só é pouca, mas hipócrita e de vista tão ou mais curta do que a de um cavalo de carroceiro. A diferença é que quem pilota a carroça deste cavalo não enxerga e muito menos pensa; mas jura que o faz por motivos. E nós jornalistas sabemos muito bem quais são.

E para o leitor que chegou até aqui, o resumo de todo esse blá blá blá bolsonarista é simples e prático: ser pré-conceituoso não é crime, (desde que não haja microfones ao redor), mas discriminação é. E mais: se isto tudo não der em nada, sem dúvida será uma cartada de gênio em termos de alcance midiático e popularização, com direito a fãs e reeleição muito em breve.

Link do vídeo da entrevista com o deputado: http://youtu.be/9n4hb0RobhQ

 


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