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A negligenciada infraestrutura do transporte brasileiro Imprimir
Escrito por Asaph Borba   
Segunda, 05 de Setembro de 2011 - 15:08

transporteNão é preciso ser um especialista ou pesquisador atento, para saber que a infraestrutura do transporte brasileiro é um problema que cresce diariamente a olhos vistos. Quem chega pela manhã no Aeroporto Internacional de Guarulhos, pode ver em poucos minutos que o assunto não é encarado com a devida seriedade por aqui. Além de se gastar mais de uma hora para retirar a bagagem, a subdimensionada e sucateada estrutura ainda consome um longo tempo do viajante para a liberação alfandegária. Centenas de pessoas que chegam dos voos noturnos no mais importante aeroporto internacional do país, apinham-se com suas malas por horas que envolvem paciência e sorte.

A experiência não está restrita ao viajante intercontinental, pois o drama já é vivido há bastante tempo pelos ocupantes dos demais aeroportos nacionais que, desde os apagões aéreos, convivem com saguões lotados e companhias aéreas despreparadas, transformando o sonho de voar num verdadeiro pesadelo. O problema toma proporções alarmantes, nos períodos de férias e feriados, isto se não cair uma chuvinha. Atrasos filas, compromissos desmarcados, noites em aeroportos, esta é a realidade do setor aéreo brasileiro, nas condições atuais. Se a tudo isto somar-se a possibilidade de uma Copa do Mundo ou Olimpíada, previstas para daqui três anos, a previsão beira ao caos, principalmente por falta de planejamento na infra estrutura.

A segunda opção do viajante é por via terrestre, onde as condições não são nada animadoras. O primeiro aspecto diz respeito à segurança nas estradas, que já tem sido um assunto desgastado na imprensa e que há muito rouba o sono dos motoristas. Depois pontua-se a condição precária das vias, devido ao baixo investimento feito pelos governos anteriores nas rodovias. O governo Lula, por exemplo, alardeou a operação tapa buracos como se fosse uma grande obra, que chegou mostrar o ilustre mandatário com uma pá em uma esburacada rodovia da Bahia, tapando um buraquinho. Apesar de aplaudido no momento, viu-se depois de alguns anos que a proposta não trouxe maiores benefícios para a precária estrutura rodoviária nacional que ainda tem mais de 70 por cento de sua malha viária sem pavimentação e segundo o IBGE, o país depende em 80 por cento das estradas para escoar a produção, o que agrava ainda mais a condição das rodovias pois o número de caminhões não para de crescer, e o controle de peso e velocidade são deficientes.

Com uma vasta rede de rios e costa oceânica nacional somando mais de 10 mil km, o transporte fluvial e marítimo se tornam uma grande possibilidade, desde que haja investimento na infraestrutura de portos e serviços, assim como, as ferrovias, que hoje representam uma pequena fatia do transporte de carga no país. Isto, por ter sido negligenciada e sucateada pelos governos passados.

Com o propagandeado crescimento econômico, a situação vai agravando-se e, infelizmente, não vemos uma mobilização por parte das autoridades em buscar uma mudança, fazendo com que a situação já pareça endêmica.

Os projetos do PAC, que previam investimento no setor, atingiram resultados pífios, principalmente depois que a mãe do programa postulou-se à presidência da república, deixando que este se tornasse rapidamente um nicho de incompetência e corrupção. Prova disso é o trecho da Br. 101, entre Porto Alegre e Florianópolis. Em construção há décadas, o trecho esboça uma finalização, mas enquanto isto barragens continuam caindo e obstruindo partes da via já construídos. Algumas pontes que se integram à via são mais baixas do que devem, e não permitem a passagem de veículos mais altos; outras foram colocadas em lugares errados mostrando que o assunto no país carece de um cuidado maior.

As mudanças climáticas não apenas revelam os problemas , mas também os agravam. Chuvas intensas aceleram as crises nos aeroportos e estradas e colocam em xeque a competência governamental de sanar o problema. Em breve o assunto vai atrapalhar as perspectivas de crescimento almejada pelo país. Uma nação que cresce sem infraestrutura, está à beira de um colapso, pois as veias por onde escoa a produção e riqueza estão cada vez mais obstruídas, o que pode gerar um enfarto, tanto no setor aéreo quanto no rodoviário.

As vozes otimistas ligadas ao governo federal anunciam projetos e investimentos, alardeando resultados e números, que pouco são vistos por quem circula pelo país. A propaganda garante que as obras estarão prontas para os eventos esportivos que estão à frente, mas o que se pode ver e prever são medidas paliativas, pois todos sabem que o grosso será feito na velocidade centenária do Brasil, emperrada pela máquina de burocracia e corrupção.

Entretanto, a negligência que está sendo abordada neste artigo, não pode ser creditada unicamente ao governo, porque por um outro lado as empresas privadas e governamentais, que operam tanto no setor aéreo, quanto terrestre têm parte da responsabilidade. As obras superfaturadas mostram-se mal planejadas e principalmente mal feitas. As estradas quando chegam ao seu final, já carecem de cuidados nos trechos anteriores, tendo em vista a baixa qualidade da terraplanagem e do asfalto, como é o caso de muitos trechos da já citada BR. 101, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. " Culpa da chuva dizem os engenheiros". "Culpa das empreiteiras que deveriam prever as chuvas", responde o povo. O governo, inerte no fiscalizar vai ficando refém de suas próprias armadilhas, buscando através de MPs e sua força no Congresso, a flexibilização das normas de controle de licitações que por certo facilitarão a continuidade das obras mal planejadas e executadas que darão ainda muita dor de cabeça para os usuários que pagam a conta com seus impostos.

 


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