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Dois eventos simultâneros movimentam Porto Alegre: o Fórum da Liberdade e o Fórum da Igualdade Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quarta, 18 de Abril de 2012 - 15:02

forum-liberdadeA Capital dos gaúchos recebeu na segunda e terça-feira (16 e 17/04) os Fóruns da Liberdade e da Igualdade. O primeiro está em sua 25ª edição e deu enfoque especial para o futuro do Brasil daqui a 25 anos. Já o Fórum da Igualdade, contraponto ao primeiro, em sua segunda edição, trouxe o tema "Sem justiça social e ambiental não há futuro!". Os eventos ocorreram simultaneamente na PUC-RS e no Salão de Eventos da Igreja Pompéia.

Financiado pela iniciativa privada, o Fórum da Liberdade trouxe a Porto Alegre economistas, jornalistas e empresários para debater o que se esperar para o Brasil no futuro. Tendo como base a situação econômica supostamente favorável em que o país vive em relação à crise internacional, convidados como o economista criador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco e o jornalista e analista político peruano, Álvaro Vargas Llosa, defenderam que o Brasil precisa aprender com a China a atrair grandes empresas através da diminuição dos impostos, e consequentemente da influência do estado na economia. "É muito provável que uma empresa que não siga as políticas industriais brasileiras seja expulsa do país, e isso é o contrário do que o Brasil precisa no momento", defende o analista político Álvaro Vargas Llosa.

No Fórum da Igualdade, financiado por órgãos e sindicatos ligados ao Governo do Estado, foi defendida a ideia de que o Brasil também sente as dificuldades impostas pela situação atual da economia mundial, devido a necessidade de atrair empresas multinacionais para produzir em território nacional. Os convidados do Fórum consideram inviável a ideia do país usar um sistema como o da China, para atrair grandes empresas ao território nacional, onde há poucos direitos trabalhistas ao cidadão. Mais importante que estabilidade econômica, é a busca pelo equilíbrio social e ambiental através do apoio do estado. "Os empresários criticam o estado, mas em 2008, quando ocorreu a crise, eles recorreram ao estado para fugir dela", afirmou o dirigente da Central Única dos Trabalhadores no estado (CUT-RS), Claudir Nespolo.

O Fórum da Liberdade contou com a presença de 23 palestrantes. Além de economia, foram debatidos temas como empreendedorismo, política nacional e internacional, corrupção, drogas e educação. Em seu opositor foram tratados assuntos como sustentabilidade, papel do estado, crise capitalista, consumo, consciência ambiental e reforma agrária. Além dos painelistas, participaram das atividades líderes e membros de sindicatos e entidades ligadas à CUT, principal organizadora do evento, e ao governo do estado. Principais painéis:

Fórum da Igualdade

forum-da-igualdade-03O painel "Papel do Estado e a crise capitalista" foi um dos destaques da segunda edição do Fórum da Igualdade, onde foi debatida a importância do estado frente às dificuldades do sistema capitalista em nível global. Compondo a mesa estavam o ex-governador Olívio Dutra, o representante geral do Mercosul, Samuel Pinheiro Guimarães Neto, o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Plínio de Arruda Sampaio Júnior, e o presidente do Sindifisco nacional em Porto Alegre, Vilson Romero.

Para Samuel Pinheiro, a crise não atinge as grandes corporações, mas é um problema para o cidadão que precisa de emprego e do governo que necessita fazer a sua moeda circular. "A crise é dos trabalhadores, não do capital. As empresas capitalistas podem se mudar para outros países, os trabalhadores não", explanou o painelista. E justificou seu pensamento ao afirmar que as empresas não estão ligadas a nenhum país, portanto não possuem responsabilidade com os estados, e por isso estão sempre à procura do local onde haja maior lucro.

O economista Plínio de Arruda fez apontamentos sobre o funcionamento da economia interna brasileira, a qual chamou de "capitalismo dependente". Segundo ele, as empresas nacionais não têm capacidade de enfrentar a concorrência global, por isso seguem a explorar fortemente o mercado brasileiro. Entretanto, precisam da ajuda do Estado, através da isenção de impostos para se manterem. "Não teremos boa educação, saneamento ou saúde, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) não deixar de ser, em grande parte, abocanhado pelas empresas privadas e uma pequena porcentagem para as políticas públicas", explica o palestrante.

Fórum da Liberdade

O quarto painel do Fórum da Liberdade tratou do tema "Lições do mundo para o Brasil" e trouxe exemplos internacionais que devem ou não ser seguidos para que o país se desenvolva. Os palestrantes foram o jornalista e analista político peruano, Álvaro Vargas Llosa, e o diretor-geral do Instituto Bruno Leoni e doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Pavia (Itália), Alberto Mingardi.

Alberto Mingardi acredita que a crise na Europa é resultado de uma política que gastou o dinheiro de forma irresponsável e deixou a dívida para as gerações seguintes. O palestrante mostrou-se contra o envolvimento do Estado na economia. "Uma lição importante para o Brasil é que a elite tem uma influência enorme na política, porque faz com que os eleitores saibam o que os políticos realmente querem", argumenta o doutor em Ciências Políticas. Ele afirma ainda que, com a atual situação da União Européia, os governantes terão que se decidir entre manter a economia prospera ou o bem-estar social.

O Estado não deve se sobrepor ao capital como ocorreu nos países europeus vítimas da atual crise, acredita o jornalista Álvaro Vargas Llosa. Para ele, o governo consome uma parte muito importante do dinheiro brasileiro e isso acaba por sufocar o desenvolvimento do país. "É importante que a iniciativa privada ganhe espaço frente ao Estado para que o desenvolvimento do país volte a subir", acredita o jornalista, e complementa: "o Brasil está em um bom caminho e só precisa de dedicação para chegar ao primeiro mundo".

 


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