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Capa Memória Política Mensalão: efeitos do pós-julgamento na política nacional ainda são dimensionados
Mensalão: efeitos do pós-julgamento na política nacional ainda são dimensionados Imprimir
Escrito por Jair Farias e Fernanda Cadore   
Quinta, 29 de Novembro de 2012 - 16:54

mensalaoUm duro golpe na impunidade. Esse foi o resultado do julgamento do caso de corrupção mais bombástico da história política do Brasil – o Mensalão. Dos 37 acusados de participar do esquema de compra de votos de parlamentares durante o primeiro mandato do governo Lula, 25 foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os sentenciados, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério, apontados como operadores do núcleo central. Com este aviso da Justiça de que a improbidade com o dinheiro público não está mais sendo tolerada, como se dará o comportamento dos políticos a partir de agora? Qual o impacto para o governo Dilma e o PT?

Sentenças servem de alerta

De acordo com cientista político Álvaro Augusto de Borba Barreto, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o recado dado pela Justiça foi duro e a punição inimaginável em outros tempos. "É bom que os políticos tenham entendido claramente e que isso os impeça de cometerem novos equívocos. Mas o melhor aviso foi para a sociedade: é possível punir juridicamente a classe política. A impunidade não é a regra, embora tenha sido até então, portanto, o sistema funciona", afirma.

Para o jornalista especializado em política Guilherme Mazui, que cobriu o julgamento, o resultado não significa influência na atuação dos políticos. "É preciso esperar o tempo correr para ver se o STF fez um julgamento de exceção ou se manterá no futuro a postura adotada contra os mensaleiros. Se mantiver a conduta, o impacto na política será maior. Trocar apoio parlamentar por dinheiro, prática corriqueira há décadas, implicará em cadeia. Vale o mesmo para quem desviar recursos públicos. Espera-se que os políticos tenham postura mais isenta e encontrem formas mais transparentes de financiar suas agendas", avalia.

Resultado não abala governo e partido segue forte

O impacto para o governo Dilma Rousseff e o PT é praticamente irrelevante. As últimas eleições municipais comprovam isso com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo, opina Mazui. "O julgamento tem mais efeito no partido como organização política, acelerando sua renovação. Dilma, por exemplo, não é do grupo de José Dirceu e José Genoino. Na verdade, a presidente nutre simpatia limitada por Dirceu. Dilma, junto de Haddad, integra uma nova geração petista, mais técnica e linha dura, aspectos que vêm agradando a população, conforme pesquisas de avaliação", analisa o jornalista.

O cientista político Álvaro Barreto entende que a ideia de que o resultado no STF implicaria condenação nas urnas não é efetiva. Segundo o cientista político, "a maior parte do eleitorado não está interessada na questão e, mesmo quem esteja, considera mais os benefícios gerados pelo PT do que os eventuais deslizes do partido". Os condenados eram membros da alta cúpula do partido, não o próprio partido, explica o especialista.

 


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