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Escrito por Manoel Canepa   
Quinta, 02 de Abril de 2009 - 00:00

caras

Os caras-pintadas, integrantes do movimento estudantil que apoiaram o impeachment do presidente da República, Fernando Collor de Melo, voltaram às ruas, quase 20 anos depois. E dessa vez o objetivo foi protestar contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Na manhã de quinta-feira, 26 de março, cerca de 500 estudantes, com os rostos pintados, foram ao Palácio Piratini exigir a saída da governadora do cargo.

Participantes de sete Diretórios Centrais de Estudantes (DCE's) do estado, diretores da União Nacional dos Estudantes (UNE), do CPERS/Sindicato dos Professores do Estado e membros do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), entoaram frases de ordem e exibiram cartazes, adesivos e faixas com a frase - "Fora Yeda", entre outros slogans e acusações.

Os principais pontos que motivaram o protesto, segundo a deputada do PSOL Luciana Genro, incluem a péssima administração da atual gestão e as denúncias de corrupção feitas pelo próprio PSOL. "Esse governo é corrupto e autoritário, Yeda está destruindo o nosso estado", declarou a deputada. Para Luciana, a participação ativa dos estudantes em questões políticas é de extrema importância: "Os estudantes amparam e representam a voz de toda população", completou a líder do PSOL.

Para o estudante secundarista Diego Soares, as denúncias de corrupção do atual governo do estado foram um dos grandes motivadores do retorno dos caras-pintadas. "A nossa participação é fundamental nesse momento. Unidos, representamos uma grande camada da sociedade, que com certeza tem peso ao reivindicar", contou o estudante, que não crê que Yeda deva cair, mas considera a ação importante.

De acordo com a vice-presidente do CPERS/Sindicato, Neiva Lazzarotto, o ato com os estudantes é muito válido. "O protesto dos alunos fortalece a causa dos professores estaduais que tiveram negado o piso nacional da classe e ameaçado o direito de protestar", comentou Neiva, lembrando que a governadora não aderiu ao piso nacional para professores de rede pública e que sancionou uma lei que prevê o desconto automático do salário de funcionários públicos em greve.

Para a estudante de Ciências Sociais, Kátia Azambuja, a precarização do ensino no estado é um dos grandes motivadores da volta dos caras-pintadas. "Yeda não está investindo na educação, está fechando salas de aulas, escolas itinerantes e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Os estudantes estão revoltados", comentou. "O governo estadual está indo contra um dos próprios direitos do neoliberalismo, ideologia que ela defende, que é o direito à educação", completou a estudante.

Se depender do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o retorno dos caras-pintadas veio para ficar. Para a Secretária geral do diretório, Ana Paula Freitas Madruga, o movimento dos estudantes vinha se reorganizando desde o ano passado, culminando no ato do dia 26 de março. "Os caras-pintadas são extremamente importantes uma vez que não pressionam apenas a cúpula do governo, mas também o legislativo, onde são criadas as leis", comentou. "Além disso, os estudantes têm um papel fundamental de incitar a opinião pública a refletir e se posicionar sobre seus governantes".

Os protestos ocorreram de forma pacífica, em frente ao Palácio Piratini, sem confrontos policiais, mas também sem a presença de nenhum representante do Governo do Estado. O documento intitulado "Carta à Sociedade Gaúcha", que solicita o afastamento da Governadora Yeda Crusius foi entregue por uma representação dos caras-pintadas, no dia 5 de março, na Assembléia Legislativa, quando foram recebidos pelo presidente, deputado Ivar Pavan (PT).

 


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