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Governo socialista e radicalmente democrático Imprimir
Escrito por Armindo Junior, Bruno Vinhola, Hosana Aprato e Marília Minor   
Quinta, 24 de Junho de 2010 - 12:37

julio-floresNascido em São Borja (RS), no dia 14 de junho do ano de 1959, Julio Cezar Leirias Flores, conhecido como Julio Flores, é o fundador do PSTU. Trabalhou no Banco Meridional onde foi ativista das grandes greves da categoria e da luta contra a privatização, quando foi liderança dos educadores e dos bancários na década de 80. Foi diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. É professor de matemática das redes municipal e estadual. É membro da Direção Estadual do PSTU e presidente do partido em Porto Alegre. Atualmente é pré-candidato a Governador do Estado e concedeu entrevista aos alunos do Jornalismo Especializado III.

Universo IPA - Quais serão as prioridades de seu plano de governo?
Julio Flores - Ainda estamos construindo nosso programa de governo. Mas nosso principal objetivo é denunciar as políticas que foram, ou estão sendo, implementadas no atual governo. Yeda (PSDB) é um desastre para o Rio Grande. Nosso partido esteve na linha de frente do movimento pelo Fora Yeda que foi organizado pelos servidores públicos e a juventude. O povo gaúcho precisa impedir que os projetos "estruturantes", assim como a Agenda 2020, defendidos pelo atual governo e sua base na Assembleia Legislativa avancem. A base desses projetos é a retirada de direitos dos servidores públicos e a garantia de um déficit zero baseado no corte de investimento nas áreas sociais. O choque de gestão do governo do PSDB é a continuidade do desmonte dos serviços públicos defendido por Britto. Também vamos combater a falsa polarização eleitoral entre Tarso (PT) e Fogaça (PMDB). Eles defendem o mesmo projeto a nível nacional com a candidatura de Dilma. Ambos já governaram contra os trabalhadores e não são alternativas para solucionar os problemas imediatos dos trabalhadores. Suspender o pagamento da dívida estadual que consome cerca de 18 % do orçamento do Estado, aplicação de uma política de reforma agrária radical, fim dos incentivos fiscais aos grandes empresários, taxação das grandes fortunas e combate a sonegação das grandes empresas, compõe uma lista de iniciativas que podem colocar nosso estado em outro patamar de desenvolvimento econômico e social na próxima década.

Universo IPA - Na avaliação do senhor, quais são as principais deficiências ou demandas do Estado?
Julio Flores - O próprio Estado enquanto instituição é a principal deficiência da nossa sociedade. Hoje existe uma política econômica voltada para exportação, independente se falta comida na mesa do nosso povo. Essa lógica deve ser invertida, o que é produzido deve abastecer a casa dos trabalhadores gaúchos e brasileiros em primeiro lugar. Precisamos de uma economia planejada e voltada para as demandas de nosso povo. Não adianta produzirmos soja se precisamos de outros alimentos para acabar com a fome. Essa é a lógica que defendemos. Nossa sociedade sofre com um Estado falido que não tem poder para solucionar nossos problemas. É um Estado que está a serviço de garantir o lucro e a propriedade privada de meia dúzia de mega empresários que consomem toda a riqueza produzida no estado e no país.

Universo IPA - Como o senhor pretende resolvê-las / atendê-las?
Julio Flores - Construir um governo socialista dos trabalhadores e radicalmente democrático, criando mecanismos de participação direta da classe trabalhadora nas decisões do governo, é o nosso principal desafio para resolvermos o problema da falta de acesso a educação e saúde pública, gratuita e de qualidade como um direito de todos, precisamos de uma política habitacional que garanta casas populares para zerar o déficit habitacional, reforma agrária para acabar com o latifúndio socializando a terra, acabando com o desemprego e diluindo os cordões de pobreza no campo. Isso é à base de nosso projeto. Quem defende e vende propostas fáceis para nosso povo, na verdade está defendendo que tudo continue como está.

Universo IPA - Do atual governo, o que o senhor avalia como insuficiente?
Julio Flores - Tudo. Este governo é um desastre.

Universo IPA - E o que houve de positivo?
Julio Flores - Nada. Nem a contratação de 3 mil trabalhadores para a Brigada Militar podemos comemorar, falta treinamento e quem paga a conta é a população mais pobre e principalmente a juventude negra que mora nas periferias. A política de repressão, sem que haja um investimento ofensivo nas áreas sociais e na recuperação dos infratores, já mostrou toda a sua ineficácia para solucionar os problemas de segurança pública.

Universo IPA - Qual será a sua primeira ação como governador?
Julio Flores - Suspender o pagamento da dívida do Estado com a união e direcionar os recursos para saúde, educação e habitação popular.

Universo IPA - Qual será o papel do governo do Estado nos investimentos e nas ações para a Copa de 2014?
Julio Flores - Garantir que a Copa do Mundo seja um evento que traga investimentos que possibilite atacar o déficit social da região metropolitana. Gerando empregos, construindo moradias, solucionando o problema do transporte coletivo e o saneamento básico. Quem vive de aparência é vitrine, não podemos esconder a pobreza que vive nossa sociedade apenas para agradar os turistas.

Universo IPA - Em 2009 foi extinta a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo. Qual a sua opinião sobre este assunto?
Julio Flores - Defendemos a mesma posição do Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social. Os estudantes, em seu congresso nacional, defendem uma posição favorável a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista somente nas empresas e instituições públicas que tenham relação capital-trabalho, considerando o diploma como um dos marcos regulatórios da profissão. O diploma por si só não garante a qualidade de formação. Defendemos a garantia do trabalho em jornalismo comunitário, popular e alternativo, pela não criminalização dos profissionais não diplomados. Nossa luta maior é pela regulamentação do trabalho, garantindo os direitos trabalhistas para todos os trabalhadores do ramo da comunicação social.

Universo IPA - Frequentemente o RS enfrenta problemas ambientais. Seu programa de governo prevê ações preventivas para evitar maiores impactos em casos de chuvas, secas, alagamentos?
Julio Flores - O capitalismo é ecologicamente insustentável. O padrão das sociedades industriais imperialistas, seu consumo e sua produção destroem a multiplicidade das espécies, fazendo com que o ambiente natural, ao se tornar mais uniforme e menos articulado, se apresente mais sensível a choques externos, o que pode fazer desaparecer o sistema como um todo. A crise econômica mundial desnudou ainda mais esse modo de produção. Segundo um estudo do governo britânico, seriam necessários US$ 540 bilhões para controlar a emissão dos gases que produzem o efeito estufa. "Não há dinheiro para isso", é o que dizem os governos imperialistas. Mas apenas na semana de 12 a 18 de outubro de 2008 eles injetaram US$ 4 trilhões para salvar empresas e bancos. Por isso, não basta defender a preservação sem ter claro que as questões ambientais só podem ser verdadeiramente compreendidas no plano da luta de classes e antiimperialista. No capitalismo, reformas parciais são totalmente insuficientes, mesmo do ponto de vista ambiental. O dilema entre socialismo ou barbárie vale também para a problemática ambiental. Nosso governo será um agente consciente da luta em defesa do meio ambiente.

Universo IPA - As pesquisas apontam que Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB) iriam para o 2º turno. Se as pesquisas se confirmarem, quem o senhor apoiará?
Julio Flores - Nosso voto é político e programático. Caso se confirme esse cenário nosso voto é nulo. Ambos representam o mesmo projeto que beneficia as grandes empresas e ataca os direitos dos trabalhadores.

Universo IPA - Caso o senhor vença as eleições, qual é a marca que o seu governo pretende deixar no Estado?
Julio Flores - Um Estado governado pelos trabalhadores e para os trabalhadores. Um governo socialista dos trabalhadores.

Entrevista produzida na disciplina de Jornalismo Política. Professora responsável: Michele Limeira.

 
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