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Capa Memória Política Eleições 2010 Repetir o pioneirismo feminino no governo
Repetir o pioneirismo feminino no governo Imprimir
Escrito por Paula Anacleto, Bruna Mello, Paola Rodrigues, Cássio Machado, Luís Bustamante, Sandra Costa e Maria   
Sábado, 26 de Junho de 2010 - 14:41

yedaA economista Yeda Crusius entrou para a história do Rio Grande do Sul como a primeira mulher a governar o Estado. E, como economista, não poderia ser outra sua meta ao tomar posse se não colocar as contas públicas em dia, defendendo a política do déficit zero. "Colocamos a casa em ordem, revertendo uma situação de investimentos decrescentes e déficit crescente, e em total descrédito perante o resto do Brasil e do mundo", avalia Yeda. Em entrevista aos alunos da disciplina de Jornalismo Especializado III, do Centro Universitário Metodista IPA, a candidata à reeleição pelo PSDB ao governo do Estado fala sobre as suas realizações durante os três anos e meio de mandato, a relação conturbada com o vice Paulo Feijó e a responsabilidade de ser a primeira mulher à frente do governo estadual.

Universo IPA - Quais são as principais realizações do governo Yeda Crusius?

Yeda Crusius - A principal realização foi equilibrar receitas com despesas, pagando em dia todas as contas. Uma coisa tão simples, mas que há 37 anos não era feita: não havia como pagar as despesas nem mínimas, como a folha de salário dos servidores públicos. Colocamos a casa em ordem, revertendo uma situação de investimentos decrescentes e déficit crescente, e em total descrédito perante ao resto do Brasil e do mundo. A partir dessa importante conquista muitas vêm se sucedendo. Invertemos a situação e agora temos investimentos crescentes, déficit zero, confiança nacional e internacional, com investimentos privados que vão gerar empregos e 43 bilhões de reais no total até o final do ano. Estamos crescendo, e atendendo aos que mais precisam, e que precisam de políticas públicas para saúde, educação, ambiente, infraestrutura, segurança. Tudo com enorme respeito ao meio ambiente, e em tudo buscando oferecer serviços de qualidade, com melhorias que vão sendo apontadas nas pesquisas feitas pelos usuários dos serviços públicos. Investimos em todos os setores, como vocês podem ver pelo portal do Governo do Estado. Estamos entregando estradas, pagando precatórios, pagando todos os atrasados de muitos anos, aumentando o salário dos servidores, contratando por concurso. Com nossos recursos estamos podendo regionalizar todos os serviços, como na saúde: pagamos mensalmente complementação aos hospitais, colocamos à disposição UTI's neonatal em todas as regiões e o índice de mortalidade infantil cai todos os anos. Assim tem sido em todos os setores, e os serviços têm melhorado muito. Estamos dando acesso a quem não tinha o esgoto tratado, pois tínhamos um índice muito baixo de esgoto tratado no estado: só 13,6% da população tinha acesso a esse serviço básico. O beneficio do aumento desses investimentos se vê também na segurança pública: com a contratação de sete mil agentes de segurança, além dos equipamentos. Também criamos uma política de prevenção da violência, que junto com o maior aparelhamento da segurança pública em 15 anos está reduzindo drasticamente os índices de violência no Rio Grande do Sul.

Universo IPA - Por que a senhora decidiu concorrer à reeleição?
Yeda - Pelo mesmo motivo que me levou a me candidatar em 2006: pela confiança de que era possível fazer o Rio Grande do Sul voltar a crescer com mais justiça e oportunidades, de modo sustentável. Temos, meu grupo político e eu, um projeto de desenvolvimento social e econômico do Estado que acredita que se pode fazer política com ética e resultados. Por isso dissemos que teríamos um novo jeito de governar, que diz não ao que não deve ou não pode ser feito, e sim ao que respeita os cidadãos, os prefeitos, os empreendedores, os que estão mais à margem da sociedade, fazendo uma política sem ódio, uma política que integrasse o Rio Grande tão dividido, o que trouxe enormes prejuízos e atraso ao desenvolvimento do estado. E os resultados já podem ser vistos, medidos, avaliados: era possível sim voltar a crescer com desenvolvimento e oportunidades, fazendo retornar a confiança no estado.

Universo IPA - Entre os objetivos que a senhora tinha na campanha de 2006, qual a senhora lamenta não ter realizado?
Yeda - Quero dizer que, não por culpa minha – exclusiva, podem dizer alguns –, não pude fazer mais rápido e com mais intensidade tudo o que estamos fazendo e que agora começa a ser percebido e compreendido. Um dos resultados mais importantes que tínhamos como objetivo vai se mostrando: somos o Estado que mais cria emprego no país, e isso não se faz quando o governo, além de não ajudar, atrapalha. E já atrapalhou no passado... E, é claro, nunca imaginei que tivesse que pagar um custo pessoal do tamanho que me foi exigido para colocar o estado de volta aos trilhos do crescimento.

Universo IPA - A política do déficit zero comprometeu a popularidade do seu governo?
Yeda - Dizer não aos que estavam acostumados a ganhar sempre, mesmo que à custa dos ganhos coletivos, traz reações sim. No caso deste governo, reações políticas muito fortes, de radicais, chegando à violência, com contínuos ataques morais sobre a governadora – quase dois anos seguidos tentando ligar a governadora à corrupção, sem nenhum indício ou prova – geraram grande impopularidade. Foi preciso muita persistência, determinação, para não interromper a ação de governo que finalmente devolveu o equilíbrio às contas públicas: o déficit zero com aumento de investimentos em todas as áreas. Pagamos com impopularidade a ação fundamental para que pudéssemos "arrumar a casa" e pagar não apenas a alguns privilegiados, mas sim a todos para quem o governo estadual deve. Pesquisas que medem popularidade são retrato do momento e, vamos concordar, desde o início do meu governo tenho sido inclementemente e diariamente agredida por acusações que se baseiam em denúncias vazias e repetitivas, sempre sob forte exposição na mídia. É difícil para as pessoas separarem o joio do trigo. Já está mudando, e espero que em breve as pesquisas captem essa percepção que todos estão tendo que tanto as denúncias eram falsas, quanto os resultados do governo em todas as áreas.

Universo IPA - Se reeleita, o que pretende fazer para desenvolver o agronegócio no estado?
Yeda - Para se ter uma ideia da importância desse segmento para a economia, quero lembrar que o agronegócio gaúcho respondeu, em 2009, por 60% das exportações do Estado e foi fundamental para o saldo positivo da nossa balança comercial em mais de US$ 5,7 bilhões. Em nível nacional, no total geral do agronegócio, ocupamos o segundo lugar na lista dos maiores estados exportadores, ficando atrás apenas de São Paulo. Em 2010 e se e for reeleita vamos dar continuidade à consolidação das iniciativas surgidas nos três primeiros anos de governo, desenvolvidas para aumentar a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio gaúcho, uma das diretrizes estratégicas do governo do Estado, complementadas com uma forte ação de suporte à agricultura familiar, visando sua qualificação e sustentabilidade. Serão priorizadas iniciativas que visam aumentar a produtividade dos processos e estimular a agregação de valor aos produtos, em especial àqueles destinados às exportações, enfatizando a certificação da qualidade de produtos e o controle da sanidade animal e vegetal. Este será nosso desafio, esquecer as adversidades climáticas que assolou nosso estado nesse início de ano e continuar com as ações de desenvolvimento em busca da preservação dos números positivos apresentados pelo agronegócio gaúcho no ano passado.

Universo IPA - Além de ser a primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul, como a senhora gostaria de ser lembrada pelos gaúchos?
Yeda - Ser a primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul é uma imensa responsabilidade, porque isso é reafirmar a mulher com toda a sua capacidade de realizar o que se propõe inclusive através da ocupação de postos de poder. No meu caso, fazendo política de um novo jeito, que passa a ser mais compreendido à medida que resisti e persisti todo esse tempo, mesmo sob forte oposição, mas com grande apoio de pessoas na maioria anônimas para o projeto que prometi cumprir para o Estado. Então lá na frente gostaria de ser lembrada não apenas como a governadora mulher que arrumou as contas do estado, mas a mulher mãe que rompeu preconceitos e paradigmas que abriram novas oportunidades para todos, principalmente para as próprias mulheres.

Universo IPA - Quanto ao direcionamento de alguns programas para a mulher, quais foram os resultados obtidos?
Yeda - O preconceito de gênero vem cedendo, inclusive através das ações de governo que informam e amparam. Toma tempo, exige redes para poderem ser efetivamente praticadas. No meu governo dei ênfase às políticas de saúde ligadas à gestante e às crianças, inclusive com a ampliação de UTIs neonatal. Na educação, alfabetização aos seis anos e valorização das condições de trabalho das professoras, imensa maioria na categoria do magistério. Na segurança, a criação das Delegacias da Mulher em todo o estado, pois a prioridade da Coordenadoria da Mulher foi a de atacar a violência sobre a mulher com ação, informação sobre a Lei Maria da Penha, e proteção. No emprego, a capacitação em todos os níveis, com parcerias com prefeituras (Projeto "Cidade Amiga da Mulher") e com entidades como SESC, SENAI, Emater (projetos "Rio Grande Mulher" e "Rio Grande Família" com políticas específicas para a mulher rural). Muita inovação nas políticas efetivas de resultados, que demoram para serem percebidos, mas que as comunidades demonstram estarem parceiras para conseguirem.

Universo IPA - Sua relação com o vice-governador Paulo Feijó foi marcada por divergências. Que lições a senhora tira dessa situação que servem para estabelecer as coligações destas eleições?
Yeda - Como sempre, queríamos que funcionasse: coligações baseadas na confiança mútua e na defesa do projeto político. Se falhamos, foi pela história que vocês acompanharam. Quem se propõe a governar o Estado se propõe a ser agente público, e não contra o público, um defensor do fim do estado, como se mostrou nesse caso.

Universo IPA - Como administradora pública, o que pretende fazer contra a corrupção se for reeleita?
Yeda - Tenho praticado tudo o que sempre defendi: responsabilidade e transparência no uso do dinheiro público. A corrupção fragiliza a democracia, escraviza pessoas, é crime, portanto quando provada deve levar os que a praticam a pagar conforme prove e determine a justiça. De muitas formas, com tudo documentado e avaliado durante toda a minha história de vida, como política eleita deputada federal e governadora não apenas emiti opinião sobre esse tema, mas fui ativista na construção de instrumentos de prevenção e de combate à corrupção: com propostas e votos para mudança da lei dos partidos políticos, com ações práticas que geraram eficiência e transparência dos gastos públicos pelos quais sou responsável, e pela construção da transparência permitindo o acesso universal às contas do Estado. Exemplo é o Estado ter finalmente o seu portal de transparência, onde estão todos os dados de arrecadação e de gastos de todo o estado, conforme compromisso firmado no Plano de Governo de 2006. E a eficiência no uso dos recursos arrecadados, como tem provado o equilíbrio das contas públicas, com significativo aumento dos gastos finalísticos, nas finalidades de governo – saúde, educação, segurança, infraestrutura.

Matéria desenvolvida na disciplina de Jornalismo Político. Professora responsável: Michele Limeira.

 


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