banner multi
Capa Memória Política Eleições 2010 Colocar o RS no ritmo de crescimento
Colocar o RS no ritmo de crescimento Imprimir
Escrito por Márcia Cristofoli   
Terça, 29 de Junho de 2010 - 10:34

TARSOO candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo do Estado, Tarso Genro, fala, em entrevista concedida ao Universo IPA, sobre seu plano de Governo, a postura nos debates políticos que estão por vir e, em especial, sobre o projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul, que norteará sua campanha eleitoral.

Universo IPA - Quais serão suas prioridades no plano de governo?
Tarso Genro - A prioridade da frente que eu represento será o desenvolvimento com distribuição de renda colocando o Rio Grande do Sul no ritmo do Brasil. Isso significa ter uma atenção especialíssima na questão da educação técnica e tecnológica, na questão da segurança pública e na questão da infraestrutura para viabilizar esse desenvolvimento. Essa grande síntese pode ser qualificada como o Estado tornar-se contemporâneo no país.

Universo IPA - Avaliando o atual Governo, o que o senhor avalia como insuficiente?
Tarso - Nós temos um grave problema educacional. O Rio Grande do Sul permanece intacto. Temos, também, um grave problema de segurança pública, porque o Governo atual não está aplicando as orientações originárias da lei que institui o Programa Nacional de Segurança Pública Com Cidadania. Nós temos uma taxa de investimento muito pequena em comparação até com o que a própria União Federal tem investido no Estado. E nós temos uma falta de diálogo social ampliado para incorporar diferentes pontos de vista em diferentes setores sociais num projeto e tudo isto é insuficiente.

Universo IPA - E os pontos positivos do atual Governo?
Tarso - Não cabe a mim apontar pontos positivos do Governo atual porque eu sou de oposição. Tenho uma visão muito crítica. Acho que ele já expõe através da publicidade, e de maneira muito intensa, o que ele supõe que seja positivo.

Universo IPA - Qual será a sua primeira ação, em caso de eleição?
Tarso - A instituição do Conselho de Desenvolvimento Social, para criar um espaço de diálogo permanente com os setores empresariais, do mundo do trabalho, do movimento social, da academia e da intelectualidade, para fazer uma consertação política no Estado. Isto em torno de crises que orientem o Rio Grande do Sul para um sentido de desenvolvimento do progresso. E a realização de um convênio com a Polícia Federal, para melhorar a segurança pública do Estado e, particularmente, intensificar a luta contra a corrupção. Inclusive apontando diretrizes para que este trabalho anti-corrupção se torne permanente através da experiência e da inteligência que a polícia tem neste combate.

Universo IPA - Sobre a Copa do Mundo de 2014, qual a principal ação em seu plano de Governo?
Tarso - Deve ser a ação orientada pelo Governo Federal, que vai monitorar e orientar estes investimentos. O Rio Grande do Sul tem que se preparar para isso e essa preparação tem que ser dada de maneira articulada e financiada pelo próprio Governo Federal.

Universo IPA - Em 2009 foi extinta a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.Qual a sua opinião sobre isso?
Tarso - Eu sou favorável que seja obrigatório o diploma. Não vejo motivo para se diferenciar uma profissão 'tri' importante como a de jornalista. Até porque, isso não impede que pessoas que não são jornalistas escrevam nos jornais e participem do processo democrático de formação da opinião. Mas as funções específicas de jornalista eu acho que deveriam ser reservadas a quem tem diploma.

Universo IPA - O senhor pretende interferir de alguma maneira no processo das PECs e dos Conselhos Especiais para este retorno?
Tarso - A medida que for de interesse para o Estado sim. O Rio Grande do Sul precisa ter um protagonismo político no país. Hoje nós somos um Estado paroquial, fechado, com brigas internas, onde dentro do próprio Governo, a governadora não conversa com o seu vice, e isso prejudica a relação do Estado com a União Federal.

Universo IPA - Frequentemente o Estado enfrenta problemas ambientais. Seu programa de Governo prevê ações para este aspecto?
Tarso - Nós temos que recuperar os instrumentos de fiscalização e de controle ambiental no Rio Grande do Sul e ter uma política voltada para uma visão de longo prazo. De uma parte nós temos que ter uma atenção especialíssima nas questões ambientais que prejudicam, por exemplo, a utilização da agricultura e propriedade familiar, que é atingida de uma forma injusta por leis que são voltadas, na verdade, para um outro padrão produtivo. E segundo, nós temos que colocar no selo do Estado, na sua marca, a defesa do meio ambiente, porque as próximas barreiras que nós teremos no mercado mundial serão as ambientais. Nós estamos no limite do esgotamento do que a Mãe Terra pode nos oferecer.

Universo IPA - No caso do senhor ir para o segundo turno, que partidos serão procurados para apoio?
Tarso - Todos aqueles que estiverem dispostos a integrar um Governo de coalisão e que tiverem concordância com o nosso programa. Nós estamos num momento de unir o Estado acima de diferenças, contingentes e conjunturais, para que o Rio Grande do Sul seja forte novamente na federação e possa se desenvolver de maneira plena. Para isso, precisamos nos despir de alguns preconceitos ideológicos e reduzir a nossa taxa de contencioso interno, de disputa interna. O que não quer dizer que haja unanimidade, nem que não deve haver oposição, mas hoje o Rio Grande do Sul precisa de um programa que é suficientemente amplo para unir distintos setores sociais de um novo governo de recuperação da identidade política, do seu desenvolvimento e da sua distribuição de renda.

Universo IPA - Não existe nenhum partido pré-definido que será procurado?
Tarso - Não. Nós preferimos analisar isso no segundo turno. Existem dois adversários históricos que a gente sabe que dificilmente vão se aproximar: o PSDB, que é oposição nacional, um partido respeitável, mas que tem uma postura radicalmente de oposição ao Governo Lula, e o PMDB, que também tem a mesma postura. Aliás, não é gratuito que os dois estão no mesmo Governo Yeda. Eles têm a mesma ideologia aqui no Rio Grande do Sul, mesma visão de mundo e a mesma visão de sociedade. Então, é saudável que tenha oposição. Eu posso dizer que estes dois não serão procurados.

Universo IPA - Caso o senhor vença as eleições, qual é a marca que o seu Governo pretende deixar?
Tarso - A mesma marca que eu deixei no Governo Federal. Os ministérios que eu passei foram reconhecidos num tenaz combate a corrupção que nós desenvolvemos, particularmente no Ministério da Justiça. Nós implementamos um projeto de segurança pública estratégico para o país – que o Rio de Janeiro está aplicando –, através da unidade de pacificação e policiamento comunitário, que aqui no Estado a Governadora não adotou. E no Conselho de Desenvolvimento Social nós criamos as diretrizes que redundaram no 'Minha Casa, Minha Vida', no 'PAC', no 'ProUni'.

Universo IPA - Considerando a sua vitória no Estado, e uma possível sucessão petista na Presidência da República, o que o senhor acha que representaria esta presença estadual e nacional?
Tarso - Representaria uma identificação política que geraria uma aproximação mais intensa do Rio Grande do Sul com o desenvolvimento que é monitorado e dirigido pela União Federal. Mas não creio que um governador deva pautar a sua relação com a União a partir do partido do presidente da República. Eu creio que a Dilma (Rouseff) vai ganhar. Vou lutar para que ela ganhe. Isso, na minha opinião, é o melhor para o Estado, mas se, eventualmente, o Serra ganhasse a eleição eu teria com ele uma excelente relação. Como tive, aliás, como ministro da Justiça enquanto ele foi governador de São Paulo.

Universo IPA - De acordo com a sua experiência recente no ministério da educação, quais são os planos para qualificar o ensino do Rio Grande do Sul?
Tarso - Nós temos hoje três grandes redes de educação superior: a rede comunitária, a rede federal – que foi expandida na minha gestão no MEC – e temos a rede da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Nós temos que estabelecer uma relação de cooperação dessas três redes para, sem superposição, atuar para baixo na qualificação da educação técnica e na educação em geral e para cima, na qualificação tecnológica e na pós-graduação. Isso pode ser feito através de um pacto entres estes três grandes grupos de instituições de ensino superior. Porque as universidades comunitárias, apesar de serem estatais, na minha opinião são públicas-estatais, a medida que elas aderiram ao ProUni, e são também acessíveis a alunos de baixa renda. Então, o Rio Grande do Sul pode ter a felicidade, se isso for feito, e nós pretendemos fazer, de ser o Estado modelo de educação superior e fundamental e média do país, a partir desta rede de alta qualificação.

Universo IPA - O senhor fala muito em ensino superior, e as séries iniciais, existem planos para elas?
Tarso - Quando eu me reporto a esta rede, eu me reporto a ela como uma rede de qualificação da educação fundamental e média também. Uma requalificação permanente dos professores, uma negociação permanente para que eles melhorem seus salários e cheguem a um piso salarial digno. E é um processo permanente de diálogo com o magistério, coisa que está interrompida hoje. Um governo sério e democrático não pode ter entre ele o os professores a BM. Ele tem que ter uma câmara de consertação de diálogo. E é isso que vamos fazer.

Universo IPA - Qual será o principal foco da sua campanha eleitoral?
Tarso - Nós vamos calcar a nossa campanha no plano de governo que vamos apresentar, pois este plano é o que nos dará autoridade pra dizer que nós vamos fazer um governo que cumpra essas finalidades que eu mencionei no início, ou seja, colocar o Rio Grande do Sul no ritmo de crescimento do Brasil.

Universo IPA - E quais as estratégias para os debates políticos que estão por vir?
Tarso - Se depender de nós os ataques não irão acontecer. Nós queremos é discutir projetos para o Estado e queremos, também, fazer uma avaliação tranqüila e ponderada do que cada partido e cada candidato fez enquanto esteve no setor público. Uma comparação técnica e política e não ofensiva do ponto de vista pessoal, mas, sobretudo, apresentando a distinção entre os programas de governo e os seus efeitos.

Universo IPA - O que o senhor gostaria de dizer aos seus eleitores?
Tarso - Nem sei se eu tenho eleitores. Acho que tenho um pouco (riso). Primeiro, um chamamento que todos votem, escolham um candidato. Não votem em branco. Não votem nulo. Porque isso é muito importante para a civilidade democrática do país. Segundo, acompanhem os programas eleitorais, mesmo às vezes eles sendo meio aborrecidos, pois sempre vai ter uma informação necessária e básica para as pessoa fazerem a sua opção. E em terceiro lugar, colaborem com seus candidatos, sejam eles quais forem, participem da campanha de maneira cívica, porque isso valoriza a democracia e valoriza aquele que, portanto, será eleito para nos governar.

Entrevista produzida na disciplina de Jornalismo Política. Professora responsável: Michele Limeira.

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA