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Acabar com dívidas e corrupção Imprimir
Escrito por Barbara Barbieri, Caroline Marques, Vainer Heleno Rocha e Xaene Pereira   
Quarta, 30 de Junho de 2010 - 17:40

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O vereador do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Pedro Ruas, nada mais quer do que acabar com as dívidas do Rio Grande do Sul e fazer com que o governo gaúcho seja transparente, caso ele seja eleito como governador nas eleições que acontecem este ano. Entre os projetos para o governo de Ruas também estão a reconstrução da segurança, da saúde e da educação.

O vereador é advogado há 30 anos, especializado na área trabalhista e vereador em Porto Alegre no quarto mandato. Ruas exerce a liderança da Bancada do PSOL e é membro da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana da Câmara Municipal de Porto Alegre. É também o autor de leis como, a Lei do Troco (que prevê a isenção da tarifa de ônibus e lotações para o usuário, quando não houver o troco devido), a Lei do ISSQN (que terminou com a isenção hedionda do ISS dos bancos, gerando receita para os cofres municipais) e a Lei do Lixo Atômico (que proíbe depósito de lixo radioativo em nossa capital).

Na última segunda-feira, dia 14 de junho, Ruas conversou com os alunos do Centro Universitário Metodista do IPA sobre suas metas e projetos para o futuro. Acompanhe a entrevista:

Univero IPA - Quais serão as prioridades no seu plano de governo?
Pedro Ruas - Nós temos dois eixos principais. Esses eixos serão desdobrados em várias propostas conforme as áreas de interesse do governo do Rio Grande do Sul. Os dois eixos principais são as dívidas do estado gaúcho e o combate à corrupção. Queremos gerar discussões sobre a dívida estadual que consome 2% da receita líquida do Estado e atualmente já passa dos R$ 40 milhões e ninguém sabe do que se trata. As pessoas não sabem do que vem esta dívida que provêm de empréstimos feitos junto à União e de multas por atraso nos pagamentos. Em 1990, ela era de mais de R$ 3 bilhões, em 1998 ela era de R$ 13,8 bilhões e em 2009 chegou a R$ 39 bilhões, então, por mais que se pague esta dívida só aumenta e como não se sabe do que ela é constituída nós temos que questionar estas dívidas como um setor de auditoria. Nós entendemos que ela já está paga, pois, só em 2008 o RS pagou 18% da dívida, o que equivale a R$ 2,1 bilhões. O segundo eixo principal de nosso governo será o combate à corrupção. O prejuízo no orçamento de Estados que passam por algum tipo de corrupção é de 30%, pois, nas entrelinhas o Estado muitas vezes compra o que não precisa ou paga mais do que compra. Só aí nós já teríamos condições de fazer bons projetos a partir destes.

Universo IPA - Então, estas são as principais demandas ou deficiências do Estado no momento?
Pedro Ruas - Não. Existem muitas outras como a questão da saúde, da educação, as estradas gaúchas e dentro delas os pedágios, e para cada uma delas nós temos diferentes propostas. Os eixos do meu programa de governo são as dívidas e o combate à corrupção, mas estes outros itens citados também são prioridades. A partir da resolução destes eixos, nós podemos ter para cada uma destas áreas prioritárias da população, propostas e respostas. Por exemplo, para a Educação nós temos propostas de escolas com turno integral, que é um pouco mais cara que a escola convencional, mas dentro dos nossos eixos esta ideia será contemplada. Queremos também melhorar a remuneração dos professores. Além disso, tem a questão da segurança que para nós não significa ter mais policiais na rua, pois, nem nos países mais desenvolvidos existe um policial por habitante. Devemos ter emprego, saúde e educação de qualidade, pois, isso se traduz em segurança porque os índices de criminalidade caem lá em baixo com estes fatores andando junto. Nós temos o melhor programa de governo de todos os partidos porque eles ainda estão se preocupando com alianças e quem vai ter mais votos e mais aceitação e apoio empresarial e nós já estamos nos preocupando com os programas do nosso partido discutindo com a sociedade suas necessidades.

Universo IPA - Em relação ao atual governo, o que o Senhor avalia como insuficiente?
Pedro Ruas - Quase tudo. Nosso atual governo é muito ruim, mas, principalmente deixa muito a desejar na questão da probidade administrativa, pois, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por improbidade administrativa. É um governo que desrespeitou os professores, colocou as crianças em containeres, aumentou as dívidas internacionais em mais de US$1 bi com empréstimos internacionais e cortou investimentos sociais. É um desastre completo, é um governo que não merece respeito da população gaúcha.

Universo IPA - Então, não houve nada de positivo no governo Yeda?
Pedro Ruas - Todo governo sempre tem um ponto positivo. O problema é que quando este governo teve algum ponto positivo foi soterrado pelas coisas ruins e pelas notícias negativas. Quando o secretário de Desenvolvimento e de Assuntos Internacionais do Rio Grande do Sul, Nelson Proença, saiu da base para ir para Brasília ele mesmo disse que "este governo era uma fábrica de notícias ruins". É um governo de escândalos e trouxe uma péssima etapa ao Rio Grande do Sul.

Universo IPA - Em caso de segundo turno entre as chapas majoritárias, quem o Senhor apoiaria?
Pedro Ruas - Esperamos estar nos segundo turno, então apoiaremos a nós mesmos. Não discutimos ainda nem em plano nacional, nem em estadual, como será caso não estejamos.

Universo IPA - Caso vença, qual a marca que o seu governo pretende deixar no RS?
Pedro Ruas - Mostrar que conseguimos combater a corrupção através da transparência para a população e acabar definitivamente com a dívida que o RS possui hoje, além de esclarecer porque ela existiu, pois, se atualmente vocês perguntarem a qualquer um de onde ela vem, ninguém vai saber responder, nem eu.

Univeso IPA - Qual será o papel do seu governo nos investimentos e nas ações para a Copa de 2014?
Pedro Ruas - Vi há poucos dias países que já sediaram a Copa do Mundo discutindo sobre qual o benefício que uma competição assim traz para a sociedade. Tivemos os jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro que trouxe bons investimentos e vantagens para os procuradores imobiliários, enfim, mas para a população em si não vimos retorno. Claro que não vamos ser contra, mas, essa questão tem que ser muito bem analisada, pois, conta com orçamentos que vão aumentando para a efetivação de uma Copa. Tem muita gente que já tem dinheiro e vai ganhar mais ainda, então nós temos que cuidar se um evento como este não será um grande trampolim para os tubarões da área financeira. A Copa deve vir sim, mas, todos os governos sejam eles federais, estaduais ou municipais devem estar preparados e, no meu ponto de vista, os nossos não estão.

Universo IPA - O Senhor acha que tem algum investimento que pode ser feito ou o governo deveria ter algum plano para receber este evento?
Pedro Ruas - O que me preocupa são sempre os planos de governo que geralmente são muito ruins. Neste momento, o governo municipal de Porto Alegre, com base na Legislação Federal e nos acordos que o presidente da República fez com a FIFA, está isentando impostos de empresas que forem atuar na Copa em valores que chegam a R$ 200 mil, por exemplo. Então, existem empresas que não estão relacionadas ao futebol e vão ter isenções. Isso é muito complicado. Existem e sobram planos para a Copa, mas, na minha visão são muito ruins.

Universo IPA - Em relação à não exigência do diploma para o exercício do jornalismo, qual sua opinião?
Pedro Ruas - Acho isso um absurdo. Na verdade não foi extinto, foi uma decisão suprema que pode vir a ser mudada e nós lutamos para que isso aconteça. Nós não podemos fazer um retorno passado nessas questões. Ao natural todas as profissões foram se especializando para darem melhores respostas técnicas a quem precisa delas e o correto é que haja alguma instância que possa avaliar se a pessoa pode ou não exercer aquela profissão. Se nós voltarmos há 200 anos atrás, os advogados eram aquelas pessoas que sabiam e estudaram um pouco de Direito e ponto final, o mesmo acontecia com os médicos que eram pessoas que entendiam de corpo humano. A sociedade foi se especializando e exigindo mais dos profissionais no mundo inteiro e no caso da imprensa é evidente que existem termos técnicos que precisam ser passados e repassados aos estudantes para que eles tenham conhecimento e façam um bom exercício da profissão. A informação é muito importante na sociedade, então, a não exigência do diploma é algo que agride a sociedade, beneficia os grandes conglomerados de imprensa porque eles poderão contratar seus amigos e as pessoas que lhe interessam mais, baixam o salário dos trabalhadores do setor e isso tudo é um absurdo, por isso combatemos isso no PSOL.

Universo IPA - O RS vem enfrentando problemas ambientais. O seu programa de governo prevê algumas ações preventivas para evitar este desgaste?
Pedro Ruas - Sim. Em primeiro lugar, nós temos que ter um sistema correto de barramento, ou seja, de barragem. Em relação às chuvas, por exemplo, nós temos que achar uma maneira de guardar e acumular a água quando para poder ter quando não chove para beneficiar a população. Tratando de água potável e de inundações, devemos encontrar maneiras de escoamento correto e guardar para o período que não chove. Por outro lado, temos que ter um grau de previsibilidade de catástrofes através de um fundo estadual que possa ser acionado e utilizado cada vez que elas acontecem, para que possamos fazer a transferência de pessoas para outros locais que não forem atingidos. Além disso, pretendemos realizar um trabalho maior de conscientização das pessoas que residem em áreas de risco.

Entrevista produzida na disciplina de Jornalismo Política. Professora responsável: Michele Limeira.

 


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