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Mudança de lado de Ana Amélia Lemos Imprimir
Escrito por Vainer Heleno Silva Rocha   
Sexta, 24 de Setembro de 2010 - 17:49

ana-ameliaDepois de três décadas trabalhando no jornalismo e com uma carreira consolidada numa das maiores empresas de comunicação do país, a jornalista Ana Amélia Lemos tomou uma decisão ousada. Aceitou o convite do Partido Progressista (PP) e resolveu ser uma das candidatas às três vagas do Rio Grande do Sul, no Senado Federal. Confira abaixo a entrevista completa concedida para a disciplina de Jornalismo Político do Centro Universitário IPA, da Rede Metodista.

Universo IPA - Qual é a sensação de trocar a imprensa pela política, após tantos anos? Como está sendo essa adaptação com os primeiros dias de campanha?
Ana Amélia -
Não é muito diferente. Primeiro, não estou em campanha. Nós seguimos a legislação eleitoral que define com uma semântica que pode ser até discutível, uma pré-campanha e depois da convenção do partido, que está marcada para o dia 28 (junho), é que entra propriamente a campanha eleitoral por assim dizer. Nesse período eu tenho visitado muitos municípios, atendendo convites de entidades de classe, de vários segmentos da sociedade, seja da produção, seja de universidades, seja de sindicatos, seja de associações e tenho ficado muito impressionada com a receptividade em torno dessa minha decisão, que é tomada, primeiro, por um ato de coragem, porque afinal eu deixei uma posição extremamente confortável numa atividade de grande prestígio e evidência como multimídia na maior empresa a de comunicação do país para enfrentar o desafio das urnas pela primeira vez. Pode dar certou ou pode não dar certo, então esse gesto e essa minha decisão tem surpreendido favoravelmente as pessoas.

Universo IPA - O que a Senhora apontaria como foco de trabalho ou plano de ação, caso seja eleita senadora pelo Rio Grande do Sul?
Ana Amélia -
A Constituição determina as funções específicas da responsabilidade do Senador da República. Um Senador representa o interesse do Estado. É por isso que são três senadores em cada Estado e a Federação, independente do tamanho ou da força, tem igual número de votos. São Paulo que é economicamente mais forte, tem três votos. Piauí que é do Nordeste, ou Sergipe, que é bem pequeno - o menor estado brasileiro - tem também três votos. Então é um equilíbrio de forças nessa representação institucional e federativa na composição da chamada câmara alta. Primeiro eu irei cumprir rigorosamente o que determina a constituição nas competências relativas ao Senado. Segundo, se eu chegar lá, tenha certeza de que as demandas que o Rio Grande do Sul tem, estarão nas prioridades do mandato legislativo. Outra coisa que eu tenho como meta, é dizer ao partido o seguinte: Independente de quem estiver no Palácio Piratini ou na Presidência da República, se for partido de oposição ao meu, desde que o projeto ou a matéria seja de interesse da coletividade, eu serei a primeira a assinar em favor desse projeto, pois entendo que o interesse coletivo está acima do interesse partidário.

Universo IPA - Nessas andanças que a senhora já vem fazendo durante a pré-campanha, há uma necessidade que o Rio Grande do Sul tenha de forma mais emergencial?
Ana Amélia -
São muitas. Eu entendo que a maior delas está na logística de transporte. Existem regiões e eu tenho me surpreendido com a vitalidade e a capacidade empreendedora dos nossos empresários no Rio Grande do Sul. Sejam, eles, de setores industriais sejam de cooperativas de produção, de cooperativas de crédito em todos os setores da área de serviço, eles estão fazendo coisas impressionantes. Tenho visitado grandes empresas que nem o Rio Grande sabe que elas existem, e, no entanto, elas enfrentam problemas "seríssimos" de falta de logística de transporte. Em alguns municípios, a interligação entre um e outro ainda não dispõe sequer de asfalto. Você imagina, quando outros já estão desesperados lutando pela duplicação, como é o caso de algumas rodovias, como a 386, entre Lajeado e Soledade, por exemplo, ou entre Lajeado e Forquetinha, que são apenas seis quilômetros, ou a duplicação da RS130, entre Lajeado e Arroio do Meio e assim por diante. Muitas das necessidades repousam exatamente sobre o setor de logística de transporte. É o caso das demandas dos empresários do Vale do Sinos, ou do Vale do Taquari, ou do Vale do Rio Pardo. Eu diria que 40 ou 50% das demandas todas estão residindo na questão da logística dos transporte. E essa é uma situação importante, porque, com boa logística, você pode ampliar substancialmente a produção. Existem outros problemas relacionados à carga tributária, que absorve uma guerra fiscal e, por exemplo, no Vale do Rio Pardo, algumas indústrias da área fumageira, se transferiram para Santa Catarina, atraídas pelos incentivos fiscais. Isso representa a perda de 600 empregos só numa unidade, que foi transferida para lá. Os créditos do ICMS não estão sendo executados como deveriam e como espera a indústria do setor. Então existem muitas demandas no Rio Grande do Sul, exatamente nessa necessidade de mais investimentos na área da logística de transporte.

Universo IPA - Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo para ser realizada no Brasil. A senhora tem algum projeto nessa área? Ou isso vai depender das demandas necessárias que o Rio Grande do Sul terá, especialmente Porto Alegre que será uma das cidades-sede?
Ana Amélia -
Você certamente acompanha o trabalho de uma secretaria especial, criada no âmbito do Estado e no âmbito de Porto Alegre, porque os jogos serão em Porto Alegre, vem acompanhando e entrando em contato com a África do Sul, que tem uma missão gaúcha acompanhando o trabalho feito pela comissão organizadora da Copa de 2010, na África do Sul, avaliando o trabalho feito antes, durante e depois da Copa de 2010. Isso é muito importante. Se já existe um Comitê cuidando dessas atividades, eu poderei trabalhar suplementarmente nas necessidades que forem apresentadas, pois você certamente já acompanhou declarações de Ministros como Ministro do Planejamento, dizendo que há limites para a União no repasse de verbas para os Estados realizarem as atividades necessárias e os investimentos para a Copa do Mundo, porque o setor privado é que vai ter que participar mais ativamente desse processo. Assim é que eu trabalharei, suplementarmente como disse, para apoiar todas as ações que esse Comitê especial no âmbito do Estado e da prefeitura de Porto Alegre, tiverem em relação à Copa de 2014. E olha, pelo que lhe falei sobre a logística de transporte, nós precisamos com urgência, porque a metade sul precisa, para o pessoal que virá assistir os jogos, uma alternativa à ponte do Guaíba. Ela é içada duas vezes ao dia e você sabe que essa ponte já teve uma acidente e tem problemas. Então já existe uma idéia de uma segunda ponte. Foi anunciada uma terceira alternativa, mas não adianta anunciar quando esses projetos ficam na gaveta. O mesmo problema está em relação ao desafogo da BR-116, na região metropolitana de Porto Alegre. Se essas obras não forem agilizadas, nós corremos o risco de ter uma Copa de 2014 comprometida, exatamente pela falta de acesso dos torcedores. Eu falo apenas em relação ao Rio Grande do Sul, sem falar nos visitantes que virão da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e do Chile, que poderão entrar pelo Rio Grande do Sul para assistir esses jogos em Porto Alegre. Então veja que são, inúmeras, eu diria até, gigantescas, às necessidades e muito urgentes, em relação à questão da logística de transportes.

Universo IPA - Sobre a questão da extinção da exigência do diploma para jornalistas, qual a sua opinião sobre o assunto?
Ana Amélia -
Não por eu ser diplomada com curso superior de Comunicação Social, na Famecos, da PUC do Rio Grande do Sul, nem é um interesse corporativo, mas eu penso que se nós temos as universidades trabalhando intensamente, preparando profissionais e agora nessa cobertura da Copa de 2010, essa situação que envolve o nosso técnico Dunga, que deveria merecer uma avaliação da conduta também da imprensa nessa cobertura, eu penso que cada vez mais é necessário um diploma universitário, porque ali não se aprende apenas as técnicas profissionais, mas se aprende também a conduta ética e os procedimentos mais rigorosos no desempenho desta função. Eu acho que é preciso realmente que a gente tenha esse rigor. Estou com o Ministro Marco Aurélio Melo, que foi o voto favorável aos jornalistas quando a matéria foi submetida ao Supremo Tribunal Federal. Valeria dizer também que os advogados também não precisariam de diploma. Veja só, o caso dos advogados. O que o advogado precisa? De uma boa argumentação, do conhecimento dos nossos códigos, da constituição, para desempenhar a sua função. Então, pelo raciocínio, também poderiam dispensar o uso de diplomas, desde que fossem autodidatas no conhecimento das leis, para a prática da advocacia. Havia antigamente a figura do Rábula que exercia a profissão sem a necessidade do diploma. Por que para esse exercício profissional se requer o uso do diploma? E mais do que isso, no caso da OAB, ainda exige-se um curso, um teste para poder exercer a profissão, que depende da aprovação do exame da ordem, o famoso exame da ordem. Então, veja só, para umas área se requer muito, e, para outras, se requer muito pouco. E olha que eu estou me referindo a uma área que tem alguma ou muitas afinidades, como é a área do direito e a área da comunicação social.

 


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