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Fogaça quer fazer o Rio Grande crescer Imprimir
Escrito por Bruna da Silva Geremias e Arthur Machado   
Sexta, 06 de Agosto de 2010 - 16:30

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De 1º de janeiro de 2005 a 30 de março de 2010, José Fogaça (PMDB) esteve à frente da prefeitura de Porto Alegre, cargo que deixou para assumir a candidatura à governo do Estado. Com uma trajetória política que iniciou em 1978, como deputado estadual pelo MDB, Fogaça tem no currículo duas administrações municipais da capital gaúcha e quer levar sua experiência para o Estado. Fogaça quer fazer o "Rio Grande crescer", valorizando o dinamismo econômico e a vocação das diferentes regiões do Estado. Também pretende implantar no Estado o programa Cidade Escola, criado na administração de Porto Alegre. Dentre outras prioridades, afirma que dará atenção especial para a segurança e para a situação dos presídios estaduais. Fogaça concorre ao governo tendo como vice, na chapa, Pompeu de Matos, do PDT. Em entrevista ao Universo Ipa, fala sobre as suas propostas s e sobre como pretende governar o Estado:

Universo IPA - Caso seja eleito governador do Estado, qual será sua principal marca?
José Fogaça - Não vou perseguir nada que possa ser caracterizado como marketing. Mas o Rio Grande do Sul precisa, nesse momento, perseguir a sua capacidade de crescer, de gerar oportunidade e emprego em todas as suas regiões. O apoio à agricultura, à agroindústria, à produção primária é fundamental no Rio Grande do Sul, porque, sem isso, o Rio Grande do Sul atrasa toda a cadeia produtiva da economia. A agricultura é o grande emulador, a base de toda a atividade produtiva do Estado. Se deixarmos morrer a agricultura, toda a cadeira industrial sofrerá conseqüências danosas. Por isso, é importante que o governo antevenha cuidar da descentralização regional, aceitar a complexidade do Estado, encarar cada região de acordo com a sua educação e abrir portas, oportunidades, apoiar, gerando investimentos em infraestrutura, telecomunicações, portos, aeroportos, estradas. O papel do governo é essencial para o desenvolvimento.

Universo Ipa - Quais são as prioridades do seu plano de governo para o Estado?
José Fogaça - O plano de governo está em fase de elaboração. Mas é importante dizer que o Rio Grande do Sul é um Estado economicamente empreendedor. Há regiões com extremo dinamismo econômico e que têm encontrado a sua própria vocação. O papel do governo, portanto, é reconhecer e identificar essas vocações regionais, criando um ambiente e investindo em infraestrutura que viabilize o investimento econômico. Infraestrutura de estradas, infraestrutura ligada ao incentivo à produção, por meio de políticas públicas de apoio, como por exemplo à Emater. Também visamos aperfeiçoar e qualificar os serviços. O Estado é um grande prestador de serviços, essenciais às pessoas. Há muitas comunidades que dependem do governo estadual para terem uma educação de qualidade. Por isso, queremos melhorar o nível de qualidade do ensino. Educação de qualidade é grande palavra-chave nos próximos anos. Na segurança pública, os efetivos da BM vem sendo reduzidos ano a ano. Agora o atual governo contratou, mas é algo que deve ser ampliado e ter continuidade. A Polícia Civil hoje tem um contingente de 4,5 mil homens, sendo que já teve 9 mil. Na saúde, os hospitais regionais precisam ser fortalecidos, porque desempenham papel importante na média e alta complexidade, que é atender pacientes num regime de especialidades. É preciso investir na ampliação e construção de blocos cirúrgicos, na ampliação e construção de áreas para segurar leitos. É uma política de descentralização na área da saúde. Por último é preciso investir na atenção básica, para ter resolutividade. Reduzir a procura hospitalar por meio da ampliação de uma atenção básica resolutiva é um de nossos principais objetivos.

Universo IPA - Na sua opinião, quais são as medidas necessárias para a qualificação do ensino público?
José Fogaça - Uma das nossas propostas, que ainda não foi aprovada, é a adoção do mesmo modelo que implantamos em Porto Alegre. Eu tenho confiança que será aprovada porque em Porto Alegre é uma secretaria de Educação vinculada ao PDT que vem implementando esse programa. É o chamado Cidade Escola, que consiste na educação integral em dois turnos. Turno escolar, básico, e depois um contraturno, de caráter especial, que use a capacidade educadora da cidade. Nós temos convênio com o Internacional, com o Instituto Ronaldinho Gaúcho, com entidades da sociedade civil e com centros comunitários para a educação, esporte, informática, música, teatro, formação humanística e fortalecimento em duas áreas básicas: matemática e português. Começamos com a experiência em 2006, na escola municipal de ensino fundamental Neuza Goulart Brizola, e hoje o Cidade Escola já é uma realidade em quase 70% das escolas da rede. Queremos adotá-lo no plano de governo estadual.

Universo IPA - Quais são os seus projetos para ampliação de vagas na Uergs?
José Fogaça - A política de ensino superior do governo do Estado é extremamente importante porque ela deve ser aliada das estratégias regionais de desenvolvimento. O Estado tem a Uergs e ela deve estar a serviço desses processos regionais de formação, de valores culturais, humanísticos, de socialização local. Ao mesmo tempo, ser parceira das necessidades, dos projetos, das estratégias que cada região desenvolva. Reunir governo, universidade, empresas, trabalhadores para produzir soluções para os problemas locais. Por isso a universidade tem que estar sólida, bem sustentada, forte para participar desse processo.

Universo IPA – Uma primeira ação como governador...
José Fogaça - A primeira ação passa por um diagnóstico das contas públicas. Colocar as contas públicas num quadro de total transparência e visibilidade e, obviamente, trabalhar pelo seu equilíbrio. Porque sem as contas públicas organizadas, um governante não consegue proporcionar capacidade de crescimento e investimento no desenvolvimento de obras e serviços. A primeira coisa que fizemos em Porto Alegre foi isso. E é também a primeira coisa que faremos como governador do Rio Grande do Sul.

Universo IPA - Há pontos positivos do governo Yeda que o senhor manteria em seu governo?
José Fogaça - Não se pode desmerecer a contratação do grande número de novos brigadianos. É uma política que não pode ser interrompida. No entanto, em outras áreas, ainda não foram feitos investimentos imprescindíveis. Hoje, o sistema prisional é altamente deficitário, realidade que deve ser encarada de frente. Há iniciativas já realizadas pelo atual governo, mas estamos longe de chegar à metade do déficit prisional existente. É absolutamente inaceitável a situação atual do presídio central de Porto Alegre, que abriga um excesso de 5,4 mil homens, quando sua capacidade é para um terço disso. A situação é grave, e isso precisa de um enfrentamento imediato, sério e consistente. Sem um sistema de custódia que seja ao mesmo tempo humana e eficiente, os presídios se tornam fábricas de reprodução da criminalidade. É uma questão de interesse público de toda a população, porque os presídios, atualmente, não ressocializam ninguém.

Universo IPA - O fato de ter sido prefeito de Porto Alegre, pode influenciar nas ações de seu governo, priorizando ações na capital gaúcha?
José Fogaça - Não necessariamente. A região metropolitana necessita de atenção, porque é o centro economicamente mais importante do Estado e, ao mesmo tempo, o palco dos maiores problemas sociais. Aqui estão concentrados os maiores dramas sob o ponto de vista da desigualdade social, das áreas de pobreza, da falta de habitação, da necessidade de investimentos em saúde, em educação, mas isso não será nunca uma preferência pessoal. E sim uma necessidade imposta pela realidade. O RS como um todo terá que ser sempre valorizado, com todos os seus problemas reconhecidos, identificados e merecedores de grande atenção por parte do governo do Estado. Pretendo me pautar pelo mais absoluto equilíbrio e equidade no tratamento das regiões, sobretudo naquelas mais carentes do apoio do Estado, detentoras das maiores desigualdades, que há quatro, cinco décadas sofrem de uma ausência de dinamismo econômico maior.

Universo IPA - Qual é a sua opinião sobre a extinção da exigência do diploma para o exercício das funções de jornalista?
José Fogaça - O diploma é importante para o exercício da profissão, principalmente para aquelas atividades que são específicas do jornalista. Embora o jornal possa contar com a contribuição de um médico, com a de um economista, de vários especialistas. Quem organiza o jornal, quem lhe dá forma são os profissionais. E para esse tipo de função específica, o diploma é fundamental.

Universo IPA - Como seu governo vai tratar os investimentos para a Copa 2014?
José Fogaça - O governo estadual tem uma responsabilidade específica em relação à Copa, que é a questão da segurança. Então, esse programa de ampliação dos efetivos da BM e da Polícia Civil faz parte de uma programação voltada para a Copa de 2014. Também posso falar sobre a mobilidade urbana, mas já é uma questão do município, atribuição da qual cuidei antes de deixar o governo municipal. Tanto que nós temos um programa que prevê R$ 520 milhões em investimentos por parte do município, sem um tostão do governo federal e estadual. O governo do Estado deverá ter um bom nível de associação e de cooperação com a prefeitura de Porto Alegre para a implantação dos Portais da Cidade, já que o projeto também inclui os ônibus interurbanos.

Universo IPA - Vivemos um período de muitas denúncias de uso indevido de recursos públicos. Quais são as suas estratégias para evitar desvio de dinheiro público?
José Fogaça - O que se faz pra evitar desvio de dinheiro público sempre é, em primeiro lugar, coibir quando se descobre o que aconteceu. É a atitude de ser prontamente, energicamente, o primeiro a reprimir qualquer tipo de ação nesse sentido. Todos os governos têm isso. Todos os governos sempre tiveram. Os governos anteriores ao nosso também tiveram isso no município de Porto Alegre. O nosso se caracteriza pelo seguinte: toda vez que alguma coisa foi descoberta, se tornou conhecida, a ação foi pronta, imediata, rigorosa para dar fim a um processo.

Entrevista produzida na disciplina de Jornalismo Política. Professora responsável: Michele Limeira.

 


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